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A Dona da Razão — Capítulo 3: Um advogado entre dois cafés

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Caio chega na cafeteria com uma pasta molhada e pede documentos antigos. Bel atende com desconfiança, sem saber que aquela visita tem ligação direta com as humilhações de Fifi.

Caio entrou na cafeteria na manhã de chuva, sacudindo o guarda-chuva. Uma gota escorreu pela pasta de couro marrom e parou na borda da mesa. Ele pediu um café simples e disse que era advogado interessado em documentos antigos do imóvel. Bel serviu o café sem sorrir, sentindo que aquela visita não era por acaso.

O advogado que pediu café

Ele se apresentou devagar, como quem mede as palavras. Disse que trabalhava com imóveis antigos e que o nome da cafeteria apareceu em uma pesquisa de cartório. Bel limpou a bancada, pensando na conta que já estava atrasada e na hipoteca que ninguém sabia. Ela não queria mais surpresas.

Caio olhou ao redor, notando as vitrines coloridas e o cheiro de bolo. Perguntou se Bel tinha os recibos da mãe, os que provavam a compra do lugar. Bel respondeu que os papéis estavam guardados, mas não entregou nada logo de cara. Tião, do outro lado do balcão, secou as mãos no pano e ficou olhando.

Documentos e desconfiança

— Tem gente que entra pela porta pedindo café e já chega sabendo onde vai fincar a faca — murmurou Bel enquanto servia o segundo café. Caio não respondeu direto. Disse apenas que queria ajudar a organizar a papelada antes que virasse problema maior. Bel sentiu o peito apertar. A pasta dele continuava ali, molhada na ponta.

Eles falaram de juros, de aluguel antigo e de como o bairro tinha mudado. Caio elogiou o bolo de fubá sem exagerar. Bel respondeu curto, mas notou que ele não olhava para o relógio como a maioria dos clientes apressados. Uma atração leve e incômoda apareceu no meio da conversa, algo que nenhum dos dois esperava.

A visita ao cartório

Depois do almoço, Caio foi ao cartório que ficava duas quadras adiante. Pediu a certidão do imóvel e esperou na fila com a pasta no colo. O funcionário entregou as folhas impressas sem pressa. Caio leu devagar e parou na linha que mostrava o nome do pai de Fifi. Ele tinha mesmo tido uma participação no prédio anos atrás. A informação dava peso à ameaça que Fifi andava fazendo.

Caio guardou as páginas na pasta e saiu para a rua ainda molhada. Pensou em ligar para Fifi, mas guardou o celular. Em vez disso, voltou para a cafeteria para deixar um recado. Bel estava fechando as cadeiras quando ele apareceu de novo. Ela aceitou o cartão dele sem comentar. No caminho para casa, Caio viu Fifi do outro lado da rua, falando alto com duas vizinhas e apontando para a cafeteria. Ele não parou para ouvir, mas a cena ficou na cabeça enquanto caminhava.