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A Chave Dourada — Capítulo 3: O Senador Aparece

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O Senador aparece com sorriso aveludado e perguntas de dupla camada. No almoço, ele confirma: sabe dela. À noite, homens estranhos param o filho de Tata na porta da escola. Ela está prestes a desco…

A Chave Dourada — Capítulo 3: O Senador Aparece — cena da novela


A porta da imobiliária se abre e o Senador Álvaro Queiroz entra como se a sala inteira tivesse respirado junto. Terno cinza-chumbo, gravata de seda, sapato italiano que custa mais que o aluguel da Tata. Ele não procura ninguém — ele já sabe onde ela está. A Tata levanta da mesa quando o vê. Não há pressa em seu gesto, só precisão.

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Aquele homem não vem pedir imóvel. Vem colher informação.

O Almoço de Negócios

O restaurante do Jardins tem luz filtrada por cortinas de linho cru. Álvaro pede vinho sem consultar a carta — o garçom já sabe. A Tata pede água com gás e observa. Ele começa suave, como quem conversa sobre o tempo.

‘Você conhece bem minha corretora anterior?’ pergunta, cortando a entrada com precisão de cirurgião.

‘Sim, trabalhamos juntas há anos,’ responde a Tata.

‘Ela fala muito de você. Diz que você tem discrição rara.’ Álvaro pausa. Sorri. ‘Discrição é riqueza, você sabe disso?’

A Tata entendeu. Não é pergunta. É aviso embrulhado em elogio.

Ele continua. Pergunta se ela visitou a cobertura pessoalmente. Se notou a vista. Se a proprietária anterior deixou recados. Cada pergunta tem dentes. A Tata responde com ‘entendi’ calculados, frases curtas, silêncios estratégicos. Come devagar. Não dá munição.

‘Você parece uma mulher que entende o valor das coisas,’ ele diz quando a sobremesa chega. ‘E que sabe quando não deve falar sobre elas.’

Não é convite. É transação velada.

A Ligação Noturna

Em casa, a Tata espera até Pedro dormir. Tira o celular da bolsa e disca o número que tem guardado há cinco anos sem usar. Ricardo Martins atende na terceira chamada — voz rouca, acordado ou fingindo estar.

‘Preciso de você. De verdade dessa vez.’

Ele não pergunta por quê. Marca o escritório dele em Pinheiros pra manhã.

A Tata passa a noite acordada, as mãos no colo, ouvindo o silêncio da casa. Aquele homem não faz ameaça direta. Ele faz cirurgia. E ela acabava de perceber: ele já sabia dela antes do almoço. O almoço foi só pra confirmar.

O Estranho no Salão

Suzy está lavando cabelo de uma cliente quando um homem entra. Cabelo curto demais, ombros tensos, aquele jeito de quem recebe ligações no ouvido invisível. Pede pra cortar. Enquanto isso, pergunta se ela conhece uma tal de Tata Santos.

Suzy congela por uma fração de segundo. Depois sorri largo, aquele sorriso de cabeleireira que não acredita em coincidência.

‘Tata? Conheço de vista. Por quê?’

‘Conhecimento profissional,’ ele responde, vago como nuvem.

Quando ele sai, Suzy liga pra Tata direto.

‘Menina, veio um cara aqui que cheira a segurança particular de senador. Tá acontecendo algo que eu preciso saber?’

A Tata não mente pra Suzy. Mas também não conta tudo ainda.

O Encontro na Porta

Pedro sai da escola no horário de sempre. O carro da Tata está na esquina — ela insistiu em buscá-lo hoje, e ele achou estranho mas não reclamou. Quando ele desce a rua, dois homens o interceptam. Não agressivos, mas presentes. Perguntam se ele é filho da Tata Santos. Se ela trabalha com imóveis. Se ele sabe de algum cliente importante dela.

Pedro é adolescente, mas não é bobo. Responde com ‘não sei’ e ‘minha mãe não fala de trabalho comigo’. Sai andando sem correr — a Tata o ensinou assim. Quando sobe no carro, a mãe já sabe pela expressão dele que algo ruim aconteceu.

‘Dois caras me pararam. Fizeram umas perguntas estranhas sobre você.’ A voz dele é pequena. Assustada.

A Tata não reage com pânico. Coloca a mão no rosto do filho, segura firme e calmo.

‘Você respondeu?’

‘Nada demais.’

Ela liga o carro. As mãos dela estão brancas no volante.

O Silêncio que Vem Depois

Na cozinha de casa, a Tata prepara jantar que ninguém vai comer. Pedro está no quarto, trancado. Ela senta sozinha e tira o celular. Procura o número de Ricardo Martins novamente. Desta vez não liga. Apenas digita uma mensagem: ‘Amanhã. É urgente. Ele cruzou uma linha que não devia.’

Fora da janela, a noite de São Paulo segue indiferente. Mas dentro daquela cozinha,

uma mulher acabava de decidir que protegia seu filho com os dentes, se necessário.

A Tata conhecia bem o tipo de homem que era Álvaro Queiroz — o tipo que nunca perdia. Mas ele ainda não havia entendido com quem estava brincando.