A mansão dos Vargas em Ipanema brilhava sob luzes douradas. Taças de champanhe erguiam-se em brindes falsos enquanto o cheiro de rosas e velas pairava no ar. Letícia sorria para os convidados, mas seus olhos buscavam algo além da festa.
Valentina parou na porta dos fundos, o uniforme ainda manchado de café do turno anterior. O coração batia forte contra o peito. Ela não fora convidada, mas a foto amassada no bolso a trouxera até ali.
De repente, uma taça escorregou dos dedos de Letícia e caiu no mármore branco, o líquido espalhando-se como sangue.
A taça que escorrega na mansão
Letícia virou-se devagar, o sorriso perfeito intacto. Os convidados silenciaram. Valentina deu um passo à frente, o envelope com a foto queimando no bolso.
Você não pertence aqui, disse Letícia, a voz baixa e cortante. O silêncio pesava como chuva.
Valentina sentiu o olhar de todos. Ela já sabia que esse momento chegaria. O cheiro doce do champanhe misturava-se ao perfume caro da viúva.
O riso que corta o salão
Letícia aproximou-se, os saltos ecoando no piso. Seus dedos tocaram levemente o braço de Valentina, um gesto que parecia carinhoso mas apertava como ferro.
Você é só uma bastarda interesseira. A frase caiu no salão como vidro quebrado. Ninguém respirou.
Você é só uma bastarda interesseira.
Valentina não recuou. Seus olhos encontraram os de Letícia, dois mundos colidindo sob o lustre de cristal.
O aliado que surge na sombra
Do outro lado do salão, Lucas observava. O advogado não sorriu, mas seu olhar demorou-se em Valentina. Ele deu um passo adiante, o paletó impecável contrastando com a tensão no ar.
Letícia riu baixo, já se afastando. O jogo estava apenas começando. Valentina sentiu o envelope no bolso e pensou na foto do affair antigo.
Lucas parou ao lado dela, o sussurro quase inaudível. A festa continuou, mas algo havia mudado no ar da mansão.
A porta dos fundos bateu suavemente com o vento que vinha do jardim. Um nome ecoou baixo entre as sombras.
