A luz da manhã entrava fraca pela janela rachada da casa simples em Copacabana. Sobre a mesa de fórmica, um envelope amarelado esperava. O silêncio era denso, carregado do cheiro de café requentado.
Dona Rosa segurava o papel com dedos trêmulos. Valentina parou na porta, o avental do café Oceano ainda úmido de suor. Algo no olhar da mãe já anunciava o fim de um segredo guardado por décadas.
O envelope amarelado sobre a mesa
Rosa empurrou o envelope devagar. A borda estava dobrada, marcada por anos de esconderijo.
Valentina o pegou sem palavra. O nome do pai aparecia em letra miúda, quase apagada. Seu coração parou por um segundo.
— Ele nunca quis você… e agora a viúva quer te apagar.
Ele nunca quis você… e agora a viúva quer te apagar.
Valentina ergueu o olhar. O choque misturava-se à raiva antiga que já carregava no peito.
O beijo que Letícia não esqueceu
Em Ipanema, Letícia olhava o jardim molhado. A lembrança do encontro de Valentina e Lucas ainda queimava. Ela não permitiria que a bastarda se aproximasse do advogado.
Uma empregada entrou em silêncio e deixou um envelope idêntico ao que Rosa escondia. Letícia sorriu frio.
A mão que leva o que não é seu
Valentina saiu para o trabalho. Rosa ficou sozinha, o olhar perdido na janela. A porta rangeu quando alguém entrou sem bater.
Letícia pegou o envelope da mesa. Dobrou-o com cuidado e guardou no bolso do casaco. Agora o segredo era dela.
Do outro lado da rua, o carro de Lucas parou. Ele viu a viúva saindo e entendeu que a guerra mudara de mãos.
