Alva sentia a chuva bater forte no rosto enquanto os guardas a empurravam para fora dos portões do castelo. O pingente de cristal balançava sobre o vestido encharcado. Cravo tentava abrir caminho pela multidão de curiosos. Só mais tarde ela entenderia que aquela tarde mudaria tudo para os dois.
A expulsão de Alva
Os guardas não olhavam para ela. Apenas cumpriam ordens. Alva segurava o pingente com força, tentando manter a cabeça erguida. A água escorria pelos cabelos e entrava nos olhos. Ela não chorava. Não queria dar esse gosto a Rubra.
Rubra observava da sacada, os braços cruzados. Beladona estava ao lado, com um sorriso fino. A princesa já tinha queimado a prova. Agora só restava ver a rival sumir.
Cravo tenta chegar até ela
Cravo empurrava os nobres que se juntavam para assistir. Ele não podia deixar que levassem Alva assim. A chuva molhava seu casaco fino, mas ele nem sentia. Quando chegou perto dos guardas, um deles ergueu o braço para pará-lo.
— Deixe-a ir, alteza — disse o guarda. — Ordem da princesa.
Cravo parou. Olhou para Alva. Ela balançou a cabeça devagar, como se pedisse para ele não piorar a situação.
A declaração diante dos nobres
Cravo deu um passo à frente mesmo assim. A voz saiu firme, apesar do frio.
Podem me expulsar do castelo, mas não existe guarda capaz de me expulsar da minha própria verdade.
Os nobres ao redor murmuraram. Rubra desceu correndo da sacada. Beladona tentou segurar o braço da princesa, mas era tarde. Cravo tinha falado alto o suficiente para que todos ouvissem.
Alva parou de andar. Olhou para ele, surpresa. Pela primeira vez desde a acusação, sentiu que alguém estava do seu lado de verdade.
Cravo se virou para Rubra. — Eu não vou casar com uma mentira. Se for preciso perder o trono por isso, que seja.
A decisão de Dona Margarida
Do outro lado do portão, Dona Margarida esperava com um xale fino sobre a cabeça. Ela tinha visto tudo. Quando Alva finalmente saiu e os guardas fecharam o portão, a mulher mais velha pegou a mão da jovem.
— Chega de segredos — disse Margarida, a voz baixa por causa da chuva. — Hoje à noite eu conto tudo.
Alva assentiu. O pingente ainda batia no peito. Cravo ficou olhando da janela do castelo enquanto as duas seguiam pelo caminho enlameado. Ele já tinha feito a escolha. Agora cabia a Alva decidir o que fazer com a verdade que vinha pela frente.
