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Fruto da Dúvida — Capítulo 3: O envelope sobre a mesa

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Bento esperava só uma confirmação no consultório, mas o resultado do DNA veio diferente. Quando voltou pra casa e colocou o envelope na mesa, Melina parou tudo o que fazia.

Bento ficou olhando o envelope creme no meio da mesa. O consultório estava quieto demais, só o barulho fraco do ar-condicionado. Ele queria que o médico falasse logo, sem enrolação. O que ele ainda não sabia era que a resposta ia mudar tudo em casa, de um jeito que ninguém esperava.

O resultado do DNA na sala do médico

Dr. Laranjo ajustou os óculos e empurrou o envelope um pouco mais para perto de Bento. Falou devagar sobre como o exame precisava de amostras boas e que às vezes tinha margem de erro pequena. Bento bateu o pé no chão, impaciente. Ele só queria uma resposta clara.

— Doutor, me fala direto. Tico é meu filho ou não?

O médico respirou fundo antes de responder. Disse que o teste não mostrava compatibilidade genética. Bento sentiu o chão sumir por um segundo. A frase saiu curta: “Pelo exame, Bento, Tico não é seu filho biológico.”

A volta longa pela Mooca

Bento saiu da clínica sem abrir o resto do laudo. Andou pelas ruas da Mooca, passou pela feira que já fechava, viu gente saindo do trabalho. O sol estava baixo e ele não parava de pensar na frase do médico. Não conseguia voltar pra casa ainda. Parou numa padaria, pediu um café que esfriou na xícara.

Duas horas depois ele pegou o ônibus de volta. O envelope estava no bolso da calça, amassado. Quando chegou em frente ao sobrado, ficou um tempo na calçada olhando a janela da sala.

O envelope na mesa da cozinha

Melina estava lavando louça quando ouviu a porta. Virou devagar, secando as mãos no pano. Bento colocou o envelope no meio da mesa, sem dizer oi. Ela parou de mexer.

— O que é isso? — perguntou ela, voz baixa.

Bento puxou uma cadeira e sentou. Olhou direto pra ela. Ele sabia que a conversa ia ser dura.

— Abre. E depois me fala o nome do pai dele.

Melina ficou branca. O prato que ela segurava escorregou um pouco na pia. Bento não tirava os olhos dela, esperando. No silêncio da cozinha, o envelope parecia maior que tudo.