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GIABÊ — Capítulo 6: O preço de uma amizade

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Na cantina lotada, Pimentudo coloca o celular diante de Tatá e oferece parar os boatos se ela revelar o segredo de Giabê. O medo de exclusão faz Tatá ceder um detalhe que acredita ser inofensivo.

Tatá sentou na mesa da cantina com o celular na mão, mas o que viu foi o reflexo do próprio rosto na tela apagada do aparelho de Pimentudo. A cantina estava cheia, vozes ecoando entre as mesas de plástico. Ela já desconfiava que ele não tinha aparecido ali por acaso.

O celular sobre a mesa

Pimentudo empurrou o telefone até parar bem na frente dela. Não disse nada no começo. Só ficou olhando, como quem espera que a outra pessoa entenda sozinha. O barulho dos pratos e das risadas ao redor parecia mais alto do que o normal.

— Eu paro com os boatos sobre o Giabê — ele disse por fim. — Mas preciso saber o que ele esconde. Você anda perto dele agora, né?

Tatá sentiu o estômago apertar. Ela tinha prometido guardar segredo. O rosto de Giabê, confiante na tarde anterior, passou pela cabeça dela.

A proteção que ele oferecia

Pimentudo continuou, voz baixa mas firme. Disse que podia fazer com que o grupo parasse de zoar Tatá também. Que ninguém mais comentaria o passado dela na escola. Em troca, só queria uma informação.

Ela negou no primeiro momento. Falou que não sabia de nada e que ele estava inventando. Pimentudo não discutiu. Apenas pegou o celular de volta e foi embora, deixando o bilhete de um lanche que ela nem tocou esfriando na bandeja.

Nos dias seguintes, as piadas voltaram. Uma mensagem no grupo da sala, uma risada no corredor quando ela passou. Nada novo, mas suficiente para lembrar como era ficar de fora de tudo.

O que Tatá acabou contando

Quando Pimentudo reapareceu, Tatá já estava sentada sozinha na mesma mesa. Ela olhou para o chão antes de falar.

— É coisa de saúde. Só isso. Não vai adiantar você ficar fuçando.

Ele assentiu devagar, como quem recebe uma peça que faltava. Tatá acreditou que aquilo bastaria para ele parar. Não era trair de verdade, pensou. Era só dar um pedaço pequeno para que o resto ficasse em paz.

O que ela ainda não sabia era que aquela frase curta seria o suficiente para Pimentudo começar a montar o resto do quebra-cabeça sozinho. Giabê, do outro lado do pátio, sorria para ela sem imaginar que a promessa feita na cantina já tinha um preço diferente do que os dois esperavam.