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Veneno de Amor — Capítulo 4: O toque que desarma

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Um toque na mão. Um segundo que queima. Isabela veio para destruir Rafael, mas seu corpo a trai. Enquanto ela luta contra o desejo, Lara observa cada movimento — desconfiada, perigosa, e determinad…

Veneno de Amor — Capítulo 4: O toque que desarma — cena da novela


A mão de Rafael toca a de Isabela quando ele estende a nota de crédito para o garçom. Apenas um segundo. Uma fração de tempo que não deveria significar nada.

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Mas significa.

Isabela sente o calor da pele dele — a palma firme, os dedos longos, o anel de ouro branco brilhando sob a luz roxa da boate como uma advertência que ela ignora. Seu corpo inteiro tensa. Aquele toque não era acidental. Ele sabia exatamente o que fazia.

O dedo que queima

Ela retira a mão rápido demais, derramando um pouco de gelo do copo no balcão. O som — mínimo, cristalino — ecoa como um grito entre eles.

Rafael sorri. Aquele sorriso que mata.

“Nervosa?” A voz dele é baixa, apenas para ela, apesar da música que vibra nas paredes. “Você não parecia nervosa quando chegou.”

Isabela força um riso — aquele riso que ela ensaiou em frente ao espelho do banheiro da boate, o riso de uma mulher que não tem nada a perder. Mas agora sente o coração acelerado, e ódio e desejo se misturam no peito como veneno e mel.

Isso não pode acontecer.

Ela conhece a história. Conhece cada detalhe do que Rafael fez. Seu pai perdeu tudo — a empresa, a casa, a dignidade — por causa de um golpe que Rafael orquestrou sete anos atrás. Um golpe que ninguém conseguiu provar. Um golpe que destruiu uma família enquanto ele erguia impérios.

Mas quando ele a olha assim, com aqueles olhos cinzentos que parecem ler tudo que ela tenta esconder, Isabela sente a razão desaparecendo como fumaça.

Veneno e mel

“Talvez você me intimide,” ela diz, e é verdade — mas não da forma que ele pensa. Ela o intimida porque o deseja. E isso a aterroriza.

Rafael inclina o corpo para perto. O cheiro dele — colônia cara, roupa de seda, poder — invade os pulmões dela. “Você não parece o tipo de mulher que se intimida com facilidade.”

“Então você me conhece?”

“Ainda não.” Ele passa o dedo sobre o vidro do copo vazio entre eles, deixando um rastro na condensação. Um gesto simples que parece indecente. “Mas quero.”

Você me intriga de um jeito perigoso.

A frase sai da boca dele como uma sentença. Isabela sente o chão desaparecer. Ela veio para destruir este homem. Veio para se infiltrar na vida dele, ganhar sua confiança, extrair seus segredos e depois — depois — deixá-lo em ruínas como ele deixou sua família.

Mas aquele toque ainda queima na sua mão.

“Perigoso é meu sobrenome,” ela responde, e vê a pupila dele dilatar. Ele gosta disso. Ele gosta do perigo. E isso a assusta porque ela também gosta — gosta dele, quando não deveria gostar de nada além da vingança.

O olhar que observa

Do outro lado da boate, sentada em uma mesa de vidro com uma taça de champanhe intocada, Lara Montenegro observa tudo.

Seus olhos — iguais aos de Rafael, mas muito mais frios — acompanham cada movimento, cada aproximação, cada sorriso. Ela não é boba. Ela conhece o irmão desde o dia em que nasceu, e nunca o viu se inclinar para uma mulher assim. Nunca o viu deixar uma mão próxima à outra por tempo demais.

Lara bate o dedo na taça, um gesto que faz o garçom se aproximar instantaneamente. “Quem é aquela mulher no bar? A bartender.”

O garçom pisca. “Isabela, senhora. Trabalha aqui há… três meses, acho.”

Três meses. Lara faz a conta. Exatamente quando Rafael começou a aparecer na boate com frequência — algo que ele nunca havia feito antes. Seus negócios o mantêm em escritórios de vidro e aço, não em boates. Nunca em boates.

Até agora.

Ela observa o irmão pagar a conta com o cartão de crédito preto — aquele que dispensa limite — e Isabela roça a mão dele por uma fração de segundo. Um toque que poderia ser acidental.

Mas Lara sabe tudo sobre toques que não são acidentais.

O preço da verdade

Quando Rafael sai da boate, Isabela o acompanha com os olhos. Ele vira a cabeça uma vez — apenas uma — e ela vê aquele sorriso novamente. Um sorriso que promete e ameaça ao mesmo tempo.

Bruno aparece ao seu lado como fantasma, apoiando os cotovelos no balcão. “Você está brincando com fogo, Isa.”

“Eu sei o que estou fazendo.”

“Sabe?” Bruno a estuda com aquele olhar protetor que a irrita e a comove simultaneamente. “Porque de onde eu estou vendo, você esqueceu por que começou isso tudo.”

Isabela não responde. Não consegue. Porque sabe que ele tem razão. Aquele toque — apenas um segundo, apenas pele contra pele — apagou algo importante dentro dela. Uma linha que ela havia traçado com cuidado.

Ela alcança o copo vazio que Rafael deixou para trás. Ainda há resquícios de uísque no fundo. Ela o coloca sob a pia, deixando a água quente correr, e observa o vidro ficar limpo. Transparente. Vazio.

Do outro lado da boate, Lara termina seu champanhe e pega o telefone. Seus dedos percorrem a tela com precisão. Ela conhece um investigador privado. Discreto. Caro. E muito, muito bom naquilo que faz.

A mensagem é simples: “Descobra tudo sobre a bartender. Nome completo, passado, família, razão de estar aqui. Rápido.”

Ela aperta enviar e sorri para o reflexo no vidro escuro da boate. Ninguém se aproxima de Rafael Montenegro sem que Lara saiba exatamente por quê.

E quando ela descobre, não há lugar no mundo onde se esconder.