Cléo parou na porta do salão de festas e respirou fundo antes de entrar. Ela sabia que Vivian já tinha ouvido falar do envelope. O que ela ainda não sabia era que aquela tarde mudaria o que todo mundo no condomínio acreditava sobre o roubo de anos atrás.
A reunião que Vivian convocou
Vivian estava no centro do salão, taça de champanhe na mão. As unhas pintadas de vermelho brilhavam sob a luz forte. Moradores sentados nas cadeiras olhavam para Cléo com curiosidade quando ela apareceu ao lado de Téo.
Vivian sorriu de lado e começou a falar primeiro. Disse que a manicure estava inventando histórias para chamar atenção. Falou do nome da mãe de Cléo como quem menciona um peso que ninguém queria carregar. Algumas pessoas assentiram baixo.
O que os papéis mostravam
Téo abriu o envelope devagar. Colocou o recibo da venda da joia sobre a mesa. A data era três dias antes da acusação contra Iraci. Vivian parou de falar quando viu o papel.
Cléo entregou cópias para quem quis pegar. Rafael se levantou do fundo da sala. Confirmou que a movimentação financeira da mãe batia com o que estava escrito ali. A voz dele saiu firme, mas baixa.
Iraci chegou depois, a pedido da filha. Olhou a joia que Vivian usava no pulso e apertou os lábios. Ela nunca tinha visto aquele colar de perto antes da acusação.
Toda semana eu ouvi tudo
Cléo deu um passo à frente quando Vivian tentou interromper. Falou dos recibos, dos horários de entrada e das conversas que ouviu enquanto pintava as mãos. Os moradores começaram a cochichar.
Toda semana eu fiz suas mãos, Vivian, e toda semana você falou como se eu não existisse.
Vivian deixou a taça tremer na mão. O líquido vermelho pingou na mesa branca. Alguém já ligava para a polícia quando Rafael confirmou mais um detalhe da conta que a mãe tinha usado para encobrir o desvio.
Cléo saiu do salão com a mãe do lado. Téo guardou os papéis de volta no envelope. Iraci não disse nada, mas pela primeira vez em anos não baixou a cabeça ao cruzar a portaria. Rafael ficou para trás, falando com os advogados que chegavam. Cléo pensou no que faria no dia seguinte, quando a poeira baixasse e alguém precisasse decidir o que contar para o resto do condomínio.
