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Podre Por Dentro — Capítulo 5: O recibo que sobrou

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Limete achou um recibo de telefone pré-pago no lixo do mercado. Amora viu a chance de provar que Abacatão foi usado, mas Cerejane chegou antes que ela pudesse usar a prova.

Limete revirava o lixo atrás do balcão do pequeno mercado da Feira Velha quando o recibo caiu entre os papéis velhos. O papel estava amassado, mas o nome do aparelho e a data ainda davam para ler. Amora chegara minutos antes querendo saber se alguém tinha visto o motorista de Cerejane por ali. O que ela ainda não sabia era que o recibo guardava uma resposta que mudaria o rumo da investigação no fim da tarde.

A descoberta no balcão

Limete limpou as mãos no avental e estendeu o papel para Amora. O recibo mostrava a compra de um telefone pré-pago feita há três semanas. O nome do comprador era o do motorista que sempre levava Cerejane até a praça. Amora segurou o papel com força. Ela já tinha aceitado investigar a mensagem falsa que arruinara o casamento, mas não esperava encontrar uma prova tão direta.

“Isso aqui prova que a mensagem não saiu do celular do Abacatão”, disse Limete baixo, olhando para a porta. Amora leu o número impresso duas vezes. O aparelho era novo, comprado em dinheiro vivo. Ela pensou no rosto do noivo na praça, pedindo para acreditar nele. Agora tinha algo concreto nas mãos.

O recibo que sobrou

Amora dobrou o papel com cuidado e guardou na bolsa. O comerciante que atendeu o motorista ainda estava no mercado, arrumando caixas de fruta. Ele confirmou ter visto o homem pagar à vista e sair rápido. O recibo era o único que sobrou porque o caixa tinha engasgado e o papel caiu no chão. Amora sentiu o peito apertar. Uma prova pequena assim podia limpar o nome de Abacatão, mas ela sabia que Cerejane não deixaria barato.

O comerciante hesitou antes de falar mais. “Alguém da mansão do Uvaldo me deu dinheiro pra eu esquecer essa compra. Disse que era assunto de família e que valia a pena ficar quieto.” Amora olhou para ele. A mentira custou barato demais para destruir uma vida inteira.

Cerejane aparece

O carro preto parou na frente do mercado antes de Amora conseguir sair. Cerejane desceu com os óculos escuros e foi direto até o balcão. Ela pediu para falar com o comerciante a sós. Amora ficou atrás de uma pilha de caixas, ouvindo tudo. Cerejane ofereceu mais dinheiro para ele esquecer qualquer conversa sobre o telefone. O homem aceitou sem discutir, mas olhou para o lado onde Amora estava escondida.

Quando Cerejane foi embora, Amora saiu do esconderijo. O comerciante baixou a cabeça. “Ela já pagou uma vez. Não posso voltar atrás agora.” Amora não respondeu. Guardou o recibo com mais firmeza e saiu para a rua quente da feira. O papel parecia queimar na bolsa.