Abacatão subiu os degraus da mansão de Uvaldo sem fazer barulho. Dentro, Cerejane falava baixo com um homem de terno. O que ele ainda não sabia era que aquela conversa guardava um detalhe sobre a mãe de Amora.
O recibo que chegou à mansão
Cerejane estava de costas para a porta quando deu a ordem. Ela apontou para uma pasta aberta na mesa e disse que os recibos do telefone pré-pago precisavam desaparecer até o fim do dia. O funcionário assentiu e guardou os papéis no bolso. Abacatão parou no corredor e ficou ali, ouvindo.
Duas caras diante do espelho
Quando o homem saiu, Abacatão entrou. Cerejane se virou rápido, surpresa, e o espelho grande atrás dela mostrava uma rachadura fina que dividia o reflexo das duas em pedaços. Ela tentou sorrir, mas a voz saiu firme. “Você não entende o que fiz por nós.” Abacatão ficou quieto por um segundo. Depois perguntou direto o que ela tinha mandado apagar. Cerejane deu de ombros. Disse que tudo tinha sido para protegê-lo de uma vida errada ao lado de Amora.
Ela se aproximou e falou baixo. “Eu fiz porque te amo. Amora nunca ia caber aqui.” Abacatão balançou a cabeça. Ele não acreditava mais. A voz dele saiu cansada quando perguntou por que ela tinha usado o motorista dela para comprar o telefone. Cerejane olhou para o lado e repetiu que era por amor.
Você não roubou meu amor, Cerejane. Você roubou a escolha de todo mundo.
A gravação que saiu pela metade
Abacatão tirou o celular do bolso e parou a gravação que tinha começado sem querer. Ele guardou o aparelho e saiu sem olhar para trás. No caminho até o portão, ouviu de novo o que Cerejane tinha dito sobre a mãe de Amora, um nome que aparecia na conversa com o funcionário. O arquivo estava incompleto, mas bastava para mostrar que algo maior tinha sido escondido. Ele guardou o telefone no carro e pensou que Amora precisava saber daquele nome antes que apagassem mais alguma coisa.
