Giabê saiu da farmácia do Dr. Roxinaldo com o pacote branco amassado na mão. Pimentudo esperava do outro lado da rua, encostado na parede, e não tirou os olhos dele. O que Tatá tinha contado na cantina parecia fazer sentido agora. Só no fim da tarde o farmacêutico entenderia o que aquilo significava.
A espera do outro lado da rua
Pimentudo viu Giabê entrar na farmácia e decidiu ficar. Ele já desconfiava que o segredo envolvia remédio. A imagem que Tatá descreveu — um garoto que some no intervalo e volta diferente — combinava com a embalagem que agora saía pela porta. Ele anotou mentalmente o nome da farmácia e guardou a cena.
O que Giabê contou ao farmacêutico
Dentro da farmácia, Giabê deixou o pacote sobre o balcão. Eu falei pra Tatá, disse ele baixinho. Ela não riu. Acho que posso parar de esconder tanto. Dr. Roxinaldo ouviu em silêncio. Ele sabia que o segredo só vira arma quando cai na mão de quem quer ferir. O menino parecia mais leve, mas o farmacêutico olhou pela vitrine e viu Pimentudo parado do outro lado.
Giabê continuou falando sobre o tratamento, sobre como era difícil esconder a insulina na escola. Ele contou que tinha medo de que alguém descobrisse e virasse motivo de piada. Dr. Roxinaldo fez perguntas curtas, como sempre. Não julgou. Só perguntou se Giabê tinha certeza de que Tatá guardaria aquilo.
O que o farmacêutico viu pela vitrine
Quando Giabê saiu, Dr. Roxinaldo ficou atrás do balcão. Pimentudo ainda estava lá. Ele olhava para o pacote que o quiabo carregava e sorria de leve. O farmacêutico sentiu o mesmo aperto que sentiu anos atrás com outro paciente. Algo estava prestes a acontecer e ele não tinha como impedir dali.
Giabê caminhou rua abaixo sem notar nada. O pacote branco ficava dentro da mochila agora. Ele pensou que talvez pudesse pedir ajuda a Tatá se precisasse no colégio. Dr. Roxinaldo ficou olhando Pimentudo até ele se afastar. A tarde terminou assim, quieta demais para o que viria.
