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Mãe Emprestada — Capítulo 2: A pulseira guardada trinta anos

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Antonia revira a caixa do parto e encontra a pulseira antiga. Neide chega e confirma que algo estranho aconteceu no berçário da Vilar naquela noite de tempestade.

Antonia não parava de pensar na frase do médico. Ela revirava a caixa de papelão no chão do quarto pequeno, com a luz amarela do abajur caindo sobre papéis velhos e fraldas amareladas. A pulseirinha de plástico desbotado apareceu por baixo de um envelope. O nome quase apagado era o dela, mas algo não batia. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquela madrugada nem tinha começado.

A caixa revirada

Os tijolos aparentes do chão estavam frios. Antonia ajoelhou e espalhou tudo: certidão, fotos pequenas, o bilhete do hospital. Ela leu de novo o nome escrito à mão. Dudu. Trinta anos depois e a dúvida que sempre existiu voltava agora com força.

Ela pegou o telefone e ligou para Neide. A voz saiu rouca. Preciso te ver agora, disse só. Depois desligou e ficou olhando a pulseira na palma da mão.

Neide chega depressa

Neide apareceu em menos de meia hora, ainda de uniforme. Entrou no quarto sem bater, viu as caixas abertas e parou. O rosto dela mudou. Antonia apontou para a pulseira.

Você estava lá naquela noite, falou Antonia. Me conta o que aconteceu de verdade.

Neide sentou na beira da cama. Ficou quieta um tempo, olhando para o chão de tijolo. O abajur fazia sombra no rosto dela.

A confissão sobre a troca no berçário

Neide respirou fundo antes de falar. Disse que a tempestade tinha apagado a luz no berçário da Casa de Saúde Vilar. As enfermeiras estavam correndo de um lado para outro. Quando a luz voltou, duas pulseiras estavam trocadas. Antonia apertou a pulseira com força.

Ela trocou muito mais que fraldas naquela noite.

Neide parou. Antonia esperou. A amiga não olhou nos olhos dela. Só repetiu que era melhor deixar isso quieto. Antonia balançou a cabeça. Não vou deixar, respondeu.

A decisão de ir até a maternidade

Neide pediu para ela pensar direito. Falou do risco de mexer no passado. Antonia guardou a pulseira no bolso da blusa. Levantou e foi até a janela. O dia já começava a clarear.

Ela decidiu que iria pessoalmente pedir os registros antigos. Neide ficou em silêncio, sabendo que nada mais a impediria. Antonia fechou a caixa com o pé e saiu do quarto.