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O Bilionário Disfarçado — Capítulo 3: Um relógio fora do lugar

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Cristina viu o relógio no pulso de Rafael e fez a pergunta que ele não esperava. Beatriz entrou no elevador no pior momento e o alerta de Antunes chegou tarde demais.

Rafael apertou o botão do elevador e sentiu o peso do relógio no pulso. Ele tinha decidido guardar a peça, mas o dia corria e a pressa o fez esquecer. O que ele ainda não sabia era que aquele objeto ia gerar a primeira rachadura séria no disfarce.

O elevador espelhado

O aço polido refletia tudo. Rafael viu o próprio pulso ali, o relógio antigo que o avô usava nas reuniões importantes. Ele baixou o braço devagar, mas Cristina já estava ao lado, olhando de canto.

— Bom dia — murmurou ela, sem tirar os olhos do reflexo.

Rafael respondeu com um aceno curto. O elevador subia devagar, como sempre. O relógio marcava as horas em silêncio, mas parecia gritar no meio do metal brilhante.

A pergunta que não devia vir

Cristina virou o rosto de leve. O perfume dela encheu o espaço pequeno.

— Onde um office-boy arruma um relógio desses? — perguntou, voz calma, mas os olhos não eram.

Rafael engoliu seco. Pensou rápido numa história qualquer sobre herança de tio, mas a voz saiu mais seca do que queria. Ele disse que era de um parente falecido, coisa simples, nada de mais. Cristina não respondeu. Só ficou olhando o pulso dele mais um segundo, como quem fotografa mentalmente cada detalhe.

Beatriz entrou no segundo andar, com a pasta dos recibos. Notou o clima pesado logo de cara. Olhou de Rafael para Cristina e ficou quieta no canto, apertando a alça da bolsa.

O recado de Antunes

Quando as portas abriram no andar dela, Cristina saiu sem se despedir. Beatriz esperou o elevador subir mais dois andares antes de falar baixo.

— Ela não costuma fazer pergunta à toa — disse, quase só pra si.

Rafael não respondeu. Desceu no próximo andar e foi direto pro corredor dos fundos, onde Sr. Antunes esperava com uma pasta debaixo do braço. O homem mais velho olhou o pulso dele e balançou a cabeça uma vez.

— Você precisava ter guardado isso ontem — falou, voz baixa. — Agora ela já viu. E vai falar com Otávio antes do almoço.

Rafael sentiu o estômago apertar. O relógio parecia mais pesado do que de manhã. Ele tirou do pulso ali mesmo, guardou no bolso da calça e seguiu pro trabalho. Mas a sensação de que o dia ainda ia ficar pior não saía da cabeça.