Marta ficou parada nos bastidores enquanto as modelos desfilavam. O vestido que via na passarela era o mesmo que ela tinha costurado no caderno meses antes. Gabriel permanecia do outro lado da sala, sem olhar na sua direção. O que ela ainda não sabia era que o caderno voltaria à tona exatamente ali, no meio de todo mundo.
A projeção no meio do desfile
Clara esperou o momento certo. Quando a última modelo deu a volta na passarela, as luzes baixaram e as fotos começaram a aparecer na tela grande. Eram os croquis originais, datados, todos com a letra de Marta. O público murmurou. Bianca parou no meio do caminho, o microfone ainda na mão.
Leonor saiu dos bastidores com o caderno aberto. As mãos dela tremiam tanto que as páginas quase caíram. Marta deu um passo à frente, sem saber se corria ou se ficava. Ela já tinha visto aquele caderno mil vezes escondido, mas nunca assim, exposto.
O caderno que Leonor segurava
Bianca tentou pegar o caderno antes que os jurados chegassem perto. Leonor recuou. A voz saiu baixa, mas deu para ouvir: “Você nunca criou nada, Bianca; só aprendeu a assinar o nome por cima da vida dos outros.” Alguém na primeira fila puxou o ar. Gabriel se aproximou devagar, com uma pasta na mão.
Marta olhou para Clara. A filha filmava tudo em silêncio, como tinha prometido. Leonor continuou: “Não foi só com Marta. Ela fez isso com várias de nós. Eu entreguei a pista porque precisava do emprego.” O silêncio que veio depois pareceu durar minutos.
Os contratos que Gabriel mostrou
Gabriel abriu a pasta. Colocou os papéis em cima de uma mesa pequena que servia de apoio para os jurados. Eram contratos de venda que ligavam os desenhos diretamente a Marta. As datas batiam com as fotos que Clara tinha projetado. Bianca deu um passo para trás, mas não tinha mais para onde ir.
Marta sentiu o peito apertar. Não era alegria ainda, era só o peso saindo. Leonor entregou o caderno para ela sem olhar nos olhos. Gabriel disse baixinho que os jurados já tinham visto o suficiente. O desfile não continuou. As pessoas começaram a sair devagar, comentando entre si.
Nos últimos minutos, Marta pensou no quintal de casa. Já dava para imaginar costureiras sentadas ali, trabalhando juntas. Nada estava resolvido ainda, mas o caderno finalmente estava com quem devia.
