Nina ficou horas olhando o celular de Patrícia vibrar sem parar sobre a mesa cheia de anotações. A cada nova notificação, mais gente comentava a gravação antiga. Ela sentia o peito apertado, mistura de alívio e medo do que ainda podia vir.
A redação improvisada
Patrícia digitava rápido, revisando o texto da investigação. Nina pedia para não soar vingativa. Queria só contar como compôs a música no metrô, com o violão rachado e os cadernos cheios de data. Patrícia concordou, mas disse que não dava para deixar de fora o que Rômulo tinha feito.
O celular tocou de novo. Era uma mensagem de Sabrina para Rômulo: “Destrói a credibilidade dela agora.” Nina leu por cima do ombro de Patrícia e sentiu o estômago revirar.
O vídeo que viralizou
Alguém postou a gravação caseira de Nina ao lado da versão de Sabrina. Os comentários explodiram. Fãs começaram a comparar cada nota, cada palavra. A gravação antiga já tinha quase um milhão de visualizações em poucas horas.
Nina respirou fundo. “Eu só queria que as pessoas soubessem de onde a música veio”, murmurou. Patrícia publicou o texto completo. O título era simples: “A cantora do metrô e a música que não era dela”.
Durante meses eles tiveram milhões de pessoas ouvindo a mentira; agora basta uma noite para todo mundo escutar a verdade.
Sabrina respondeu em rede social acusando Nina de fabricar provas. Rômulo repostou logo em seguida. Mas os prints dos arquivos de data já estavam circulando.
A mensagem do festival
Por volta das três da manhã o e-mail chegou. Um grande festival que ia reunir as duas cantoras estava convidando Nina para cantar ao vivo no mesmo dia. Ela leu duas vezes. O coração bateu mais forte. Era a chance de tocar a música do jeito que ela tinha nascido, pensou.
Patrícia sorriu cansado. “Eles vão ter que te ouvir agora.” Nina guardou o celular. Do lado de fora, São Paulo ainda estava escuro, mas a rua parecia diferente.
