Nina apertava o violão contra o peito nos bastidores, a cortina vermelha balançando com o barulho da multidão do outro lado. O festival lotava a praça inteira. Ela queria cantar a música exatamente como tinha escrito, sem arranjo de estúdio, só a voz e as cordas gastas. O que ela ainda não sabia era que a pior briga daquela noite ia acontecer antes mesmo de pisar no palco.
Os bastidores lotados
Patrícia segurava o celular perto da orelha, repetindo as últimas mensagens que trocara com Leo. Ele tinha rasgado o contrato e mandado os arquivos para a investigação. Nina via o microfone solitário no centro do palco através de uma fresta na cortina. O coração batia forte, mas ela só pensava nos cadernos antigos guardados em casa. Dona Maria mandara uma mensagem curta: “Canta como sempre cantou, filha.”
A gravação que Rômulo guardava
Rômulo apareceu nos bastidores com o rosto tenso. Sabrina vinha logo atrás, já vestida para o show. Ele parou perto de Nina e falou baixo: “Eu tenho os registros de quando recebi o arquivo original. Não vou afundar sozinho.” Sabrina parou no meio do corredor. Seu olhar mudou na hora. Ela entendeu que o empresário estava abrindo mão dela para sair limpo.
“Vocês podem roubar uma letra, uma gravação e até um crédito, mas a voz sabe de onde a música veio.”
Nina respirou fundo quando o apresentador chamou seu nome. O rugido da plateia pareceu crescer de repente. Ela passou pela cortina vermelha e foi até o microfone. Os primeiros acordes saíram devagar, a mesma melodia que ela cantava no metrô. Enquanto isso, os arquivos que Rômulo entregara começavam a circular na investigação oficial.
A virada que ninguém esperava
Sabrina ficou parada nos bastidores vendo a transmissão ao vivo. As mensagens no celular dela explodiam com gente comparando as duas versões da música. Rômulo já tinha sumido do lado dela. Nina terminou a canção e o público explodiu. Ela sentiu que algo mudava de verdade naquela noite, mas ainda não sabia o quanto a própria mãe ia precisar falar sobre o passado logo depois.
