Tatá esperava no pátio com o brotinho verde na palma da mão. O banco ao lado dela estava vazio. Giabê demorava mais do que o normal depois da última aula, e ela já imaginava que ele não queria vê-la.
O que ela ainda não sabia era que a conversa que tentava começar ia mostrar a ela que pedir desculpa nem sempre abre a porta de volta.
A espera no pátio
Tatá ficou ali sentada quase vinte minutos. O broto era pequeno, saído do topo dela mesma, e ela torcia o caule entre os dedos sem parar. Queria que Giabê visse aquilo e entendesse que era um pedido de recomeço. Quando ele apareceu, parou a uns passos de distância.
— Eu não pedi pra você esperar — ele disse baixo.
— Eu sei. Mas eu precisava falar.
A conversa com a mãe
Em casa, Dona Tomatinha já tinha ouvido boatos no grupo de pais. Quando Giabê chegou, ela estava na cozinha com o rosto cansado.
— Eu vou te tirar dessa escola amanhã mesmo — ela falou, sem rodeio. — Não aguento mais saber que estão te humilhando.
Giabê balançou a cabeça devagar.
— Se eu sair porque eles têm preconceito, quem vai embora sou eu, mas quem vence é o medo.
A mãe ficou em silêncio. Não concordou, mas também não insistiu na hora.
O que Tatá confessou
De volta ao pátio, Tatá estendeu o broto. Giabê não pegou.
— Eu contei pro Pimentudo sobre a insulina — ela disse. A voz saiu rouca. — Tive medo de ficar de fora de novo se ele virasse contra mim também.
Giabê respirou fundo. Olhou o broto no chão agora.
— Perdoar não é a mesma coisa que confiar de novo — respondeu. — Eu entendo por que você fez. Mas não consigo voltar pra perto agora.
Tatá assentiu. Lágrimas desceram sem ela tentar segurar. Giabê pegou a mochila e deu dois passos.
— Eu vou falar com o Pimentudo amanhã, na frente de todo mundo — ele completou. — Não pra brigar. Pra ele parar de usar os outros de alvo.
Tatá ficou olhando ele ir embora. O broto ficou no chão, já começando a murchar.
