Giabê parou na porta do pátio. A mochila estava aberta sobre a cadeira, sem zíper fechado. Os alunos cochichavam como sempre, mas ele não baixou a cabeça. O que ele ainda não sabia era que aquela assembleia guardava a conversa que mudaria o jeito de todos olharem para ele.
A assembleia no pátio
Os alunos se reuniram no pátio ensolarado do Colégio Hortifruti. Giabê caminhou até o meio, mochila aberta, caneta de insulina à vista. Ninguém riu alto. Pimentudo ficou no fundo, braços cruzados. Tatá sentou na primeira fileira, olhando para as próprias mãos.
Giabê respirou fundo antes de falar. Disse que diabetes não era vergonha, era só uma coisa que precisava de cuidado. Que ninguém tinha o direito de usar isso contra ele. A voz saiu baixa, mas firme. Ele parou quando viu Dr. Roxinaldo se aproximar.
O que o farmacêutico contou
Dr. Roxinaldo pegou o microfone. Falou de um paciente que parou o tratamento depois de ser zoado na escola. Não deu nome, não fez drama. Só disse que anos depois ainda pensava nisso toda vez que via um jovem escondendo remédio no banheiro. Pimentudo olhou para o chão.
Giabê sentiu o peito apertar, mas continuou de pé. A mochila continuava aberta. Ninguém mexeu nela.
A confissão de Pimentudo
Pimentudo pediu para falar. A voz saiu rouca. Contou que o pai exigia notas perfeitas e que qualquer sinal de fraqueza era punido em casa. Disse que usou o segredo de Giabê para se sentir maior, mas que isso não era desculpa. Pediu desculpa direto, sem rodeio. Giabê só assentiu.
O pedido de Tatá
Tatá se levantou depois. Pediu perdão por ter ficado quieta quando Pimentudo começou a espalhar a história. Não pediu para voltar a ser amiga de uma vez. Só disse que queria tentar de novo, devagar. Giabê respondeu que aceitava, mas que a confiança voltaria aos poucos.
Ser forte não é não ter segredo; é não deixar o medo mandar na sua vida.
Quando a assembleia terminou, Giabê fechou a mochila sem pressa. Tatá caminhou ao lado dele até a sala. Os dois não conversaram muito. Mas pela primeira vez, nenhum dos dois olhou para trás para ver se alguém estava rindo.
