A confraternização lotava a academia. Uma taça de espumante se partiu no chão e ninguém parou para limpar. Renato falava alto com os clientes, mas seu olhar procurava a porta. Marta só queria os documentos e sair dali rápido.
A confraternização na academia
Renato subiu no pequeno palco improvisado. Disse que ia anunciar um projeto novo, algo que mudaria tudo. Os convidados bateram palma. Ele sorriu e esperou o momento certo para puxar o assunto que realmente importava.
Marta entrou devagar, tentando não chamar atenção. Pediu licença entre as mesas e foi direto para o fundo, onde ficava o armário dos funcionários. O celular vibrava no bolso com mensagens de Lúcia, mas ela não parou para ler.
O momento que Renato escolheu
Ele começou falando do projeto. Depois mudou o tom. Disse que era hora de contar a verdade sobre a separação. Falou que Marta tinha traído ele enquanto fingia ser a vítima. As vozes baixaram. Alguém pigarreou. Marta parou no meio do caminho e sentiu os olhares.
Caio apareceu na porta, ainda de jaleco da farmácia. Renato apontou para ele e disse que agora entendia tudo. Falou que os dois mantinham um caso e que por isso ela queria os papéis. Caio ficou imóvel. Marta tentou falar, mas a voz saiu baixa.
A surpresa de Bianca
Bianca estava perto da janela. Tinha chegado minutos antes e ouvia tudo. Quando Renato terminou de falar, ela deu dois passos à frente. Disse que ele também tinha recebido dinheiro dela para um negócio que nunca existiu. Os convidados pararam de mexer os copos. Renato abriu a boca e fechou de novo.
Você passou meses me chamando de vergonha; agora aguenta quando a vergonha tiver o seu nome.
Bianca virou as costas e saiu. Alguns convidados começaram a cochichar. Renato desceu do palco e tentou chamar Marta de volta, mas ela já estava perto da saída.
O que Lúcia guardou
Lúcia esperava do lado de fora da academia. Tinha a pasta na mão, a mesma que tirou da mochila antiga de Renato meses antes. Entregou sem dizer muito. Dentro estavam contratos, comprovantes de transferência e uma cópia da assinatura de Marta em papéis que ela nunca tinha visto. Marta sentiu o peso da pasta. Abriu na primeira página e reconheceu o próprio nome em letra que não era dela. Lúcia disse só que tinha ficado com medo de contar antes. Marta guardou tudo e saiu andando sem olhar para trás. O chão da calçada estava molhado de chuva fina. Ela apertou a pasta contra o peito e pensou no que faria com aqueles papéis agora.
