Marina ajustava o véu diante do espelho quando o celular vibrou sobre a penteadeira. A luz da tela refletiu no vidro e ela leu a mensagem sem pensar duas vezes. O que ela ainda não sabia era que o pior daquela tarde estava guardado para depois da cerimônia. A frase apareceu em letras pretas: Não case. Ele não é quem você pensa.
A mensagem no espelho
Ela leu de novo. Depois mais uma vez. O coração batia forte, mas o vestido branco apertava o peito e não deixava o ar entrar direito. Bruna, que estava ao lado segurando o buquê, perguntou se estava tudo bem. Marina guardou o telefone depressa e respondeu que sim, só um pouco nervosa.
O quarto da noiva tinha cheiro de flores brancas e perfume caro. Do lado de fora, os convidados já se arrumavam para entrar na igreja. Marina queria ligar para o número, mas o dedo parou no botão. E se fosse alguém da família de Gabriel? Ela pensou em Renata, que nunca disfarçava o jeito frio.
O corredor até o altar
Quando Marina atravessou o corredor lateral da igreja, viu Renata parada perto da porta. A cunhada sorriu, mas os olhos não acompanharam. Marina sentiu o celular vibrar de novo no bolso do vestido. Não atendeu. Gabriel já estava no altar, de costas para ela, conversando com o padre.
Durante a caminhada até o altar, Marina olhou para os rostos dos convidados. Ninguém parecia diferente. Ainda assim, a frase não saía da cabeça. Ela já desconfiava de que algo estava errado desde o noivado, mas nunca imaginou que viesse assim, minutos antes de dizer sim.
A segunda mensagem na festa
A cerimônia terminou rápido. As pessoas aplaudiram, Gabriel beijou sua mão e todos foram para o salão. Marina sorriu para as fotos, aceitou os parabéns, mas o celular queimava na palma da mão. Quando conseguiu se afastar um pouco, olhou a tela de novo.
A nova mensagem era curta: O remetente está aqui dentro da festa. Marina ergueu os olhos e viu Renata saindo pela porta dos fundos sem explicar para onde ia. Alguém na sala sabia exatamente o que ela tinha lido minutos antes. O champanhe na mesa à frente continuava intocado.
