Renato ficou olhando a chuva escorrer pelo vidro do escritório. A foto com a mãe continuava virada para baixo, cobrindo a pilha de boletos vencidos. Ele não imaginava que o que procuravam estava ali mesmo, na gaveta de baixo.
A foto virada para baixo
Vera cruzou os braços no meio da sala. Por que você foi na construtora? perguntou direto. Renato sorriu de lado, como sempre fazia quando tentava ganhar tempo. Márcia observava em silêncio, notando como o irmão evitava olhar para a mesa.
Leandro mexia nas pastas sem pedir licença. A empresa de Renato parecia próspera, mas as contas não batiam. Dalva tinha pagado várias parcelas nos últimos meses sem contar para ninguém.
O que a mãe pagava em segredo
— Ela nunca falou nada — disse Márcia, quase para si mesma. Renato apertou o maxilar. Ele já sentia que a história ia escapar do controle.
Vera exigiu que ele explicasse a visita à construtora. Renato respondeu que só queria entender a venda. A chuva batia mais forte. Leandro parou de mexer nas gavetas e olhou para o irmão.
Mãe nenhuma paga uma dívida desse tamanho sem cobrar alguma coisa em troca.
O silêncio ficou pesado. Renato percebeu que tinha falado demais.
O comprovante na gaveta de baixo
Leandro puxou o papel que estava preso por um clipe enferrujado. O valor transferido da venda da casa aparecia claro na conta vinculada à empresa de Renato. Parte do dinheiro tinha ido direto para cobrir a falência que ninguém sabia.
Renato deu um passo à frente, mas parou. Vera olhou o comprovante e depois o irmão. Márcia só balançou a cabeça. Agora não tinha mais como fingir.
Do lado de fora, o carro de Márcia estava parado na rua. Ela pensou na mensagem de voz que ainda não tinha apagado. Vera perguntou de novo sobre a construtora. Renato já não respondia. Leandro guardou o papel no bolso sem dizer nada.
