Márcia estacionou o carro na frente da casa da mãe e ficou ali, com o motor desligado. A chuva batia no para-brisa e deformava o reflexo do seu rosto no vidro. Ela apertou o play da mensagem de Dalva pela quarta vez. O que ela ainda não sabia era que aquela voz guardava uma informação que ninguém na família esperava.
A mensagem repetida
O áudio era curto. Dalva falava baixo, cansada, como se tivesse caminhado muito. Pedia um lugar para dormir só aquela noite. Márcia ouvia e parava antes do final, depois voltava do começo. No banco do passageiro, o celular de Vera vibrava sem parar.
Vera desceu do carro dos irmãos e bateu na janela de Márcia. “O que ela disse?” perguntou, sem abrir a porta. Renato ficou atrás, olhando para a rua molhada. Leandro já tinha o gravador do celular na mão, pronto para comparar o áudio com alguma coisa que ele achara antes.
O que Márcia contou
Márcia abriu a janela só um pouco. “Ela perguntou se podia ficar aqui uma noite. Depois de uma vida abrindo a casa para todo mundo.” Vera ficou em silêncio. Renato respirou fundo e olhou para o chão. Ele imaginava que Dalva tinha falado do dinheiro que ele tirara da venda.
Leandro se aproximou. “Tem mais. O áudio não acaba aí.” Márcia apertou os dedos no volante. Ela não queria contar o resto. O nome de Caio estava na mensagem, e ela sabia que isso ia abrir uma porta que ninguém mais queria ver.
O final do áudio
Márcia passou o celular para eles. Dalva terminava falando baixo: “Caio sabe quem recebeu o dinheiro da venda.” Vera olhou para o irmão. Renato deu um passo atrás. Leandro ficou quieto, como se já esperasse aquilo.
A chuva aumentou. Márcia desligou o carro de vez. Ela ainda sentia o peso da resposta que dera à mãe no dia anterior. Vera começou a perguntar mais detalhes, mas Márcia não respondeu. No fim da rua, um carro parou devagar. A porta do motorista se abriu.
