Márcia desligou o carro e ficou olhando o portão entreaberto. Caio estava ali, com uma pasta preta na mão, como se tivesse esperado por ela. O áudio da mãe ainda ecoava na cabeça dela. O que ele sabia sobre o dinheiro da venda ainda não tinha saído da mensagem.
O homem da construtora no portão
Caio deu um passo à frente quando viu Márcia descendo do carro. A pasta estava fechada, mas parecia pesada. Ela parou a uns metros dele, sem saber direito o que dizer. Renato e Vera já estavam na calçada, tensos.
— Por que você voltou? — perguntou Márcia, a voz baixa.
Ele olhou para a casa antiga, depois para ela. — Vim impedir a demolição. Sua mãe não queria que isso acontecesse.
A fotografia que caiu no chão
Márcia segurava a bolsa com força. Uma foto velha escapou quando ela mexeu a alça. Era deles dois, rasgada no meio, da época em que namoravam. Caio se abaixou e pegou o pedaço. Vera ficou branca ao ver a imagem.
Renato avançou. — Isso aqui não é lugar pra você. Vai embora.
Caio não se moveu. Leandro ficou atrás, só observando. Márcia sentiu o peito apertar. Ela já desconfiava que ele guardava algo desde o áudio da mãe.
A frase que Caio soltou
— Sua mãe não separou nós dois por vergonha de mim — disse Caio, olhando só para Márcia. — Ela estava protegendo você de uma verdade sobre seu pai.
Sua mãe não separou nós dois por vergonha de mim; ela estava protegendo você de uma verdade sobre seu pai.
O silêncio caiu por alguns segundos. Vera abriu a boca, mas não falou. Renato apertou os punhos. Márcia sentiu as pernas moles. Caio abriu a pasta e tirou uma folha.
A procuração que Vera assinou
— Aqui está a cópia. Foi usada na venda — continuou Caio, entregando o papel. A assinatura de Vera estava clara no documento. Vera deu um passo atrás, sem conseguir negar. Renato olhou para a irmã, surpreso. Leandro se aproximou para ver melhor.
Márcia pegou o papel com a mão trêmula. O nome da construtora estava no topo. Ela pensou na mensagem da mãe de novo: Caio sabia quem tinha recebido o dinheiro. Agora ele estava ali, entregando a prova que ninguém queria ver. Vera tirou o celular do bolso, mas não ligou para ninguém. O almoço ainda estava na mesa dentro de casa, intocado.
