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A Rainha do Salão — Capítulo 6: A inauguração que abalou o bairro

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Marinalva inaugura o Rainha do Salão sob aplausos, mas Clarisse planta a dúvida e Rafaela chega destruída pedindo socorro. A fita cortada marca o início de uma guerra silenciosa.

A Rainha do Salão — Capítulo 6: A inauguração que abalou o bairro — cena da novela

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A fita vermelha esticada brilhava sob o sol de Copacabana. Clientes se aglomeravam na calçada, murmúrios de expectativa misturando-se ao cheiro de flores frescas e loção capilar. Marinalva segurava a tesoura com a palma úmida, o coração latejando contra as costelas.

Suzane sorria ao lado, mãos protetoras sobre a barriga ainda discreta. Gabriel ajustava a câmera do celular, ansioso para registrar o momento. O novo salão Rainha do Salão parecia prometer um recomeço, mas o ar carregava algo mais denso que o perfume dos arranjos.

A fita cortada sob aplausos

Marinalva respirou fundo e cortou a fita. O tecido se abriu em dois, caindo como sangue líquido no chão de pedra. Aplausos ecoaram, mas um riso baixo cortou o som. Clarisse Viana observava do outro lado da rua, braços cruzados, olhos estreitos.

O salão estava aberto. Clientes entraram, tocando os espelhos dourados, sentindo o tecido das poltronas novas. Marinalva serviu café, o vapor subindo como oração. Suzane manicurava a primeira cliente, gestos precisos.

Do lado de fora, Clarisse aproximou-se devagar. Seus saltos altos batiam na calçada como advertência. Ela parou na porta, um envelope amassado no bolso.

O envelope que ninguém esperava

Clarisse entrou sem convite. Depositou o envelope sobre o balcão. O silêncio caiu como um véu. Marinalva o pegou, dedos tremendo levemente ao rasgá-lo. Dentro, apenas uma frase impressa: as contas não fechariam.

— Esse salão não vai durar — disse Clarisse, voz doce como veneno. O choque percorreu o ambiente. Clientes pararam de conversar. Suzane apertou a tesoura com força.

Esse salão não vai durar.

Marinalva ergueu o olhar. Não respondeu. Apenas guardou o papel no bolso, onde ele queimava como carvão.

O cabelo destruído na porta

Enquanto a tarde avançava, uma figura cambaleou até a entrada. Rafaela, o cabelo tingido de cinza irregular, fios partidos caindo sobre os ombros. Ela entrou sem maquiagem, olhos inchados. Pediu ajuda com a voz rouca.

Marinalva parou. O aroma de café ainda pairava. Rafaela olhou para o chão, a humilhação visível em cada músculo tenso. Gabriel filmou tudo, a câmera tremendo nas mãos.

Clarisse observava da esquina, um sorriso fino nos lábios. O salão vibrava com tensão, mas as poltronas permaneciam ocupadas.