A garagem da Mansão das Mentiras parecia um túmulo de concreto e metal sob a luz fraca de um único poste. Faróis de carro cortavam a escuridão como lâminas, iluminando poças de óleo no chão e o cheiro denso de gasolina misturado a chuva fina.
Isabela apertou a mão do motorista com força, o coração batendo contra as costelas. O bilhete anônimo ainda queimava no bolso dela. Eles precisavam sair antes que o resto da casa acordasse.
O farol que rasgou a noite
O carro deu ré devagar, pneus chiando no piso úmido. Isabela olhou para trás pelo espelho, o rosto pálido refletido no vidro. O silêncio era cortante, só o motor ronronando baixo.
Mateus, o motorista, engatou a primeira marcha. Uma sombra se moveu perto da saída.
O bloqueio que ninguém esperava
Rafael apareceu na frente do carro, braços cruzados, um sorriso torto iluminado pelos faróis. Isabela sentiu o ar fugir dos pulmões. O meio-irmão bateu na capô com a palma da mão.
— Você não vai escapar de mim. — A voz dele ecoou baixa e cortante, carregada de veneno.
Você não vai escapar de mim.
Isabela apertou a mão de Mateus mais forte. O carro avançou de repente, desviando do corpo de Rafael por centímetros. A adrenalina subiu como fogo na garganta dela.
A curva que ninguém controlou
A estrada molhada engoliu o veículo. Mateus virou o volante com violência, mas a curva veio rápido demais. O carro derrapou, metal rangendo contra o guard-rail.
Isabela viu o mundo girar. O impacto veio como um soco. Vidro estilhaçado voou. O cheiro de sangue misturou-se ao de borracha queimada.
A testemunha que surgiu da chuva
Quando o silêncio voltou, só se ouvia a chuva batendo no teto amassado. Uma figura se aproximou devagar do carro virado. Uma aliança brilhou na mão dela sob a luz dos faróis ainda acesos.
Isabela abriu os olhos, dor latejando na têmpora. A figura parou a alguns metros, olhando para dentro do veículo sem se aproximar. O celular vibrou no bolso de Rafael, caído no asfalto.
