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O Domingo em Que Minha Mãe Sumiu — Capítulo 12: Quando Dalva voltou

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Meses depois, a mesa de domingo voltou com uma toalha de retalhos. Dalva ficou sentada enquanto os filhos serviam. No fim do almoço ela disse que a mãe que aceitava tudo tinha ficado para trás.

O Domingo em Que Minha Mãe Sumiu — Capítulo 12: Quando Dalva voltou — cena da novela

Meses depois do último almoço, a casa na Mooca voltou a cheirar a comida de domingo. Os filhos chegaram juntos, mas ninguém correu para a cozinha. Dalva estava sentada à mesa, as mãos quietas sobre a nova toalha de retalhos. O que ela ainda não tinha contado era que aquela cadeira vazia ao lado dela agora significava outra coisa.

A mesa com retalhos

Vera entrou primeiro, carregando a travessa de arroz. Atrás dela veio Renato com a salada, Márcia com o frango e Leandro com o suco. Ninguém brigou pelo lugar de servir. A toalha nova tinha pedaços da camisa que o pai usava, do vestido de formatura de Vera e da blusa que Dalva vestia quando eles eram pequenos. Cada filho reconheceu o próprio pedaço sem precisar dizer nada.

Caio ficou na porta da sala, sem entrar. Márcia olhou para ele uma vez, depois para o prato que esfriava. Ela não pediu que ele sentasse, mas também não mandou que fosse embora. Dalva observou tudo em silêncio.

O que mudou nos meses

Leandro já tinha um emprego fixo numa oficina do bairro. Renato assinava documentos toda semana no fórum, pagando a fraude aos poucos. Vera parou de falar por Dalva e começou a perguntar: “Mãe, você quer que eu leve as roupas pro conserto?”. Márcia ainda não tinha respondido ao bilhete que Caio deixou, mas guardava ele na gaveta.

A construtora recuou depois que as provas de Leandro apareceram. A casa era de Dalva de novo. Parte do quintal agora era usada para encontros de idosas que tinham perdido imóveis da mesma forma. Dalva ia às reuniões, mas não contava para os filhos o que ouvia lá.

Quando Dalva falou

O almoço seguiu devagar. Ninguém tocou no assunto da venda, nem nas cartas antigas. No final, Dalva colocou o guardanapo sobre o prato e olhou para cada um. “Eu voltei para esta casa, mas a mãe que aceitava tudo ficou naquela cadeira vazia.”

Vera baixou os olhos. Márcia respirou fundo e estendeu a mão para Caio, que agora estava ao lado dela. Leandro serviu mais suco para a mãe sem pedir permissão. Renato ficou quieto, aceitando que o silêncio dele já não era proteção.

Dalva se levantou e começou a recolher os pratos. Pela primeira vez, os filhos não tentaram fazer isso por ela. O sol da tarde entrava pela janela da Mooca como sempre entrou. Só que agora ninguém esperava que Dalva resolvesse mais nada.