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O Domingo em Que Minha Mãe Sumiu — Capítulo 1: A cadeira vazia

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A mesa estava posta, o bolo intacto, mas a cadeira de Dalva continuava vazia. O cardigã creme no encosto era o único sinal de que ela tinha estado ali antes de sumir.

O Domingo em Que Minha Mãe Sumiu — Capítulo 1: A cadeira vazia — cena da novela


No domingo abafado da Mooca, a mesa da sala já estava posta desde cedo. Arroz, feijão, frango assado e o bolo de aniversário intacto. A cadeira de Dalva ficava no meio, com o cardigã creme jogado no encosto.

A cadeira que ninguém sentou

Vera chegou primeiro, ainda de uniforme da loja. Olhou a mesa e soltou o ar pelos dentes. Por que ela não atendeu o celular? Renato apareceu logo depois, de camisa social, como se tivesse saído de uma reunião. Márcia entrou calada, bolsa no ombro, evitando olhar para os irmãos. Leandro foi o último, com a roupa do dia anterior e cara de quem não dormiu.

Eles se sentaram sem tirar o cardigã da cadeira. O ar-condicionado antigo zumbia, mas o calor não diminuía. Vera serviu o arroz para todo mundo, mesmo sabendo que ninguém ia comer. O prato de Dalva ficou ali, vazio, esfriando.

Os quatro envelopes

Leandro foi quem viu os envelopes em cima da cristaleira. Estavam endereçados, um para cada um. Ninguém falou nada por alguns segundos. Vera pegou o dela com a ponta dos dedos, como se queimasse. Renato abriu o dele depressa, querendo mostrar que não tinha medo. Márcia ficou com o papel na mão sem rasgar o lacre.

Dentro de cada envelope tinha uma carta curta e uma cópia da notificação judicial. A casa estava vendida. Cinco dias para desocupar. A assinatura de Dalva estava no contrato, mas ela nunca tinha assinado nada.

— Passei a vida dando um lar a vocês, e um de vocês decidiu me deixar sem nenhum.

Vera leu a frase em voz alta, a voz falhando no meio. Renato ficou olhando para o chão. Márcia encostou a mão na testa, como se tivesse dor de cabeça de repente. Leandro empurrou o prato para o lado e começou a juntar as cópias.

O que Dalva deixou

A carta de Leandro era diferente. Tinha também o laudo da falsificação e o nome do cartório. Dalva tinha descoberto tudo antes do almoço. Ela não fugiu por impulso. Preparou cada passo. O cardigã na cadeira era o único sinal de que ela tinha estado ali de manhã.

Vera começou a falar que iam procurar nos hospitais. Renato disse que ia ligar para a polícia. Márcia ficou quieta, remexendo a aliança. Leandro guardou a notificação no bolso e saiu para o quintal sem pedir licença. O bolo continuava ali, sem ninguém tocar.