Vera colocou a procuração no meio da mesa do almoço ainda intocada. Os irmãos olhavam o papel carimbado sem tocar na comida. O que ela ainda não sabia era que a explicação sobre aquela assinatura acabaria apontando para algo que ninguém queria ver.
A procuração na mesa
Vera tirou a aliança devagar e a deixou ao lado do documento. O metal fez um som baixo contra a madeira. Leandro empurrou o prato para o lado, sem paciência para esperar.
— Eu usei a procuração antiga — disse Vera. — A mãe sempre deixava comigo quando ia ao médico. Eu achei que a casa não era mais segura pra ela.
O que Vera explicou
Renato tamborilava os dedos na cadeira. Márcia ficou quieta, olhando para o próprio copo. Vera continuou, a voz baixa.
— Eu só queria trocar por um apartamento. Sem escada, sem risco de queda. Nunca autorizei ninguém a tirar dinheiro antes da hora.
Ela traí a confiança da nossa mãe tentando salvá-la de uma vida que ela nunca pediu para abandonar.
Caio abriu a pasta e tirou um extrato impresso. Colocou em cima da procuração sem dizer nada no começo.
O extrato que apareceu
O papel mostrava a transferência do adiantamento. Feita poucas horas depois da assinatura. A conta de destino não era conhecida de ninguém ali.
Leandro apontou para o nome do banco. Renato parou de tamborilar. Márcia percebeu que o silêncio na sala era diferente agora. Vera olhou para o extrato e depois para o irmão mais velho. Ninguém tocou na comida que esfriava.
