Nina subiu as escadas do palco carregando o violão velho. O público já batia palma antes mesmo dela começar. Ela ainda não sabia que a maior escolha daquela noite viria só depois da última nota.
A volta ao palco
O festival lotou a praça em São Paulo. Nina afinou as cordas devagar, sentindo o peso do olhar de todo mundo. Leo estava nos bastidores, livre do contrato, e observava em silêncio. Dona Maria ficou na primeira fileira, mãos apertadas no colo.
A primeira música saiu rouca, como se o metrô ainda estivesse ali. Quando terminou, o aplauso demorou para baixar. Nina respirou fundo e olhou para o lado do palco, onde o chapéu de moedas já estava colocado ao lado do microfone profissional.
O chapéu de moedas
Entre uma música e outra, Nina contou rápido como era cantar por seis moedas na Estação Sé. Ninguém no público riu. Leo deu um passo à frente e entregou a ela os cadernos antigos que recuperaram. Autoria da música nunca mais seria dúvida para quem ouvia.
Dona Maria secou os olhos com o lenço. Sabrina não estava no evento, mas as provas que Rômulo entregou já circulavam na internet. A investigação terminou ali, ao vivo.
A escolha que Nina fez
Depois da última música, o microfone ficou em silêncio por alguns segundos. Nina olhou para Leo, que sorriu de leve. Ela pegou o chapéu, colocou algumas moedas dentro e falou baixo, quase para si mesma.
Eu cantava por moedas porque ninguém sabia meu nome; agora canto para que ninguém esqueça de onde eu vim.
Leo se aproximou e disse que tinha encerrado qualquer vínculo com a equipe de Sabrina. Nina o beijou ali, no meio do palco. Depois virou para o público e anunciou que o primeiro disco sairia com a ajuda de Seu Jorge e mantendo a história do metrô intacta. Ela não queria virar outra pessoa só porque o mercado agora queria comprá-la.
Dona Maria subiu no palco no final e abraçou a filha sem dizer nada sobre o segredo antigo. Nina entendeu que o medo da mãe tinha ficado para trás. O chapéu ficou ali, ao lado do microfone, até o público começar a ir embora.
