No salão de música, Vânia se aproximou de Manu com os braços abertos. A menina apertou a boneca de pano contra o peito e deu um passo para trás. Bruno observava do sofá, Dona Vitória ao lado dele. O que ninguém esperava era que o dia ainda reservava uma surpresa maior, quando as tensões explodissem de verdade.
A tentativa de abraço
Vânia sorriu, o tipo de sorriso que ela usava quando queria impressionar. “Venha cá, Manu, vamos nos conhecer melhor.” A menina recuou mais um passo, os olhos buscando Lia, que estava parada perto da porta. A boneca ficou ainda mais apertada.
Manu não disse nada. Apenas correu. A saia dela esvoaçou enquanto ela atravessava o salão e se encolheu atrás das pernas de Lia. Vânia ficou de braços abertos, o rosto congelado por um segundo.
A acusação de Dona Vitória
Dona Vitória ergueu uma sobrancelha. “Lia, isso é inaceitável. Você está virando a cabeça da criança contra Vânia.” A voz dela saiu baixa, mas cortante. Bruno mexeu na gravata, sem olhar para a mãe.
Lia sentiu o coração bater mais forte. Ela já desconfiava que isso ia acontecer. Manu não soltava a saia dela. O silêncio no salão pareceu durar minutos.
“Criança não entende fortuna, mas entende quando um abraço é falso.”
Bruno intervém
Bruno se levantou devagar. Pela primeira vez, ele olhou direto para Dona Vitória. “Mãe, isso não é culpa da Lia. Manu escolheu quem ela quer perto.” Vânia forçou um sorriso pequeno, mas os olhos dela brilhavam de raiva contida.
Lia sentiu um alívio leve, misturado com medo. A gravidez ainda era segredo, e ela sabia que qualquer passo em falso podia piorar tudo. Manu apertou a boneca com mais força.
Bruno voltou a sentar, mas o olhar que trocou com a mãe deixava claro que algo havia mudado. Vânia ajustou o colar, tentando recuperar o controle da conversa. No dia seguinte, uma recepção íntima estava marcada na mansão, e Lia já pensava em como evitar chamar atenção para o mal-estar que sentia cada vez mais.
