Nina parou no vão da porta e viu os primeiros convidados descendo pela escada interna. Lustres brilhavam sobre mesas arrumadas, mas uma gota de água pingava do teto e caía perto de um cabo descascado no canto.
Sob os lustres acesos
Bruno ficou ao lado dela, celular na mão. Ele filmava discretamente as mesas, os fios soltos e o gerador que alguém tinha ligado no corredor. Nina tocou o braço dele.
— A gente precisa tirar todo mundo daqui antes que isso piore.
Otávio apareceu do outro lado do salão. Ele fez sinal para dois seguranças e apontou para Nina e Bruno.
O gerador que ninguém devia ver
Nina correu até o quadro de disjuntor e desligou a energia auxiliar. As luzes piscaram. Otávio xingou baixo, mandou ligar o gerador clandestino e trancou o gabinete com chave. O mesmo fio que matou sete pessoas está queimando novamente debaixo desta festa, pensou Nina enquanto via a faísca minúscula subir pelo cobre.
Bruno continuou filmando. Um segurança puxou ele pelo braço. Nina gritou para os convidados que havia problema na fiação, mas a música estava alta e quase ninguém ouviu.
A cortina que pegou fogo
A faísca alcançou a cortina de veludo. O tecido escureceu rápido. Otávio ordenou que ninguém saísse. A porta corta-fogo começou a descer sozinha, bloqueando a saída principal antes que metade dos convidados percebesse o cheiro de queimado.
Nina correu para o outro lado do salão, mas o painel já estava quase no chão. Bruno soltou o braço do segurança e foi atrás dela. Otávio ficou parado, olhando o fogo subir, sem conseguir decidir se chamava ajuda ou tentava apagar tudo sozinho.
