Marina fixava a tela do celular que vibrava sobre a mesa. A sala estava completamente escura por causa da queda de energia. Ninguém mais parecia notar o que aquilo poderia significar.
A tela que iluminava tudo
Ela pegou o aparelho com cuidado. Daniel se aproximou devagar, usando a lanterna do próprio celular para ajudar. Os outros continuavam em silêncio no sofá, ainda digerindo as confissões que tinham acabado de fazer.
A mensagem nova estava lá, mas o horário de envio parecia estranho. Marina leu em voz baixa: “Não foi agora. Foi antes.” Ela já desconfiava que alguém planejava aquilo há tempo.
As mensagens programadas
Daniel abriu o histórico do aparelho. As datas mostravam agendamentos feitos semanas antes do casamento. Uma por uma, as mensagens tinham sido marcadas para chegar em momentos exatos. O remetente precisava de acesso ao dia a dia de Marina para saber quando ela estaria sozinha ou distraída.
— Isso explica o tom de voz no áudio — disse ele. — Quem mandou já sabia que você ia abrir sozinha.
Marina sentiu o estômago apertar. Lívia, sentada no canto, não desviava o olhar do chão. Bruna mexia nas mãos. Renata cruzava os braços, como sempre.
Foi você esse tempo todo
O celular vibrou de novo. Dessa vez a mensagem era mais longa. Mostrava prints de conversas antigas e um arquivo de áudio gravado dentro da própria mansão. Marina apertou play. A voz era baixa, mas clara.
Eu tentei avisar antes. Não queria que você descobrisse tudo só depois do casamento.
Ela olhou para Lívia. A mulher ergueu o rosto devagar. Não era ciúme. Era medo de que o segredo de Gabriel — o acidente que ele tinha escondido por anos — explodisse em cima de Marina quando já fosse tarde demais para sair.
— Eu tinha acesso ao seu celular quando você deixava carregando aqui — admitiu Lívia. — Sabia que as mensagens precisavam chegar no momento certo.
Marina guardou o aparelho no bolso. O gerador finalmente voltou. A luz forte do lustre fez todo mundo piscar. Ninguém se mexeu.
