Cléo chegou à portaria já quase escuro, o cheiro de piso encerado ainda no ar. Téo estava atrás do balcão, o livro grosso de registros aberto como sempre. Ela precisava de um nome, de uma data, de qualquer coisa que ligasse Vivian ao que tinha acontecido com a mãe. O que ela ainda não sabia era que aquela consulta simples ia mudar o rumo de tudo.
A portaria ao fim da tarde
Cléo parou do outro lado do balcão e baixou a voz. Téo olhou para os lados antes de responder. “Você não devia estar aqui perguntando isso”, disse ele. Ela insistiu: precisava saber quem entrava e saía do apartamento da Vivian na época do roubo. Téo respirou fundo e fechou o livro principal.
O livro que os porteiros guardavam
Ele puxou de baixo do balcão um caderno velho, capa de papelão amassada. “Os antigos anotavam tudo que o livro oficial não mostrava”, explicou. Cléo aproximou a cadeira. Téo folheou páginas amareladas até parar numa data marcada com caneta azul. O nome de um homem apareceu ao lado da entrada do apartamento 1202, o de Vivian. “Ele ficou quase uma hora lá dentro”, murmurou Téo.
Ninguém repara no porteiro, Cléo, e é por isso que a gente vê tudo. A frase saiu baixa, quase um segredo compartilhado. Cléo sentiu o peso daquilo. Téo virou mais uma página e mostrou outra anotação: o mesmo homem voltara duas noites depois, carregando uma caixa pequena. Ela copiou a data no celular com a mão trêmula.
A data que não batia
Cléo comparou a data com o que a mãe sempre contara. Não fechava. Vivian tinha jurado que estava sozinha naquela semana, de viagem. O nome do homem e a segunda visita apontavam para alguém mais dentro do esquema. Téo fechou o caderno devagar. “Guarda isso aí”, pediu. Cléo assentiu e saiu pela porta giratória, o celular quente no bolso.
