Cléo alinha quatro vidros de esmalte na bancada do salão. Vermelho, nude, rosa e azul. Ela já sabia que a conversa de hoje poderia ligar o que ouvira na portaria com algo mais concreto.
No salão com os vidros alinhados
Duas clientes entram quase juntas. Uma reclama do marido que esquece aniversário. A outra fala de uma dívida que não para de crescer. Cléo escuta, sorri no momento certo e passa o algodão. Nenhuma delas sabe que ela guarda cada palavra.
Quando a terceira cliente senta, o tom muda. Dona Marta, que mora dois andares abaixo de Vivian, começa a falar de joias antigas. Diz que o mercado de luxo anda difícil. Cléo faz uma pergunta simples sobre preços antigos.
A frase que mudou o rumo
Marta conta que Vivian vendeu uma peça valiosa poucos dias depois de acusar Iraci. A venda foi rápida, quase sem registro. Ninguém do prédio comentou na época porque a madame sempre foi discreta com dinheiro.
Madame não vende joia de família por necessidade; vende quando precisa apagar alguma coisa.
Cléo sente o pulso acelerar. Ela já desconfiava que o roubo tinha sido forjado, mas agora via o dinheiro saindo logo em seguida. A data coincide com o dia que Téo encontrou no livro de registros.
Ela termina o atendimento em silêncio. Os esmaltes permanecem na mesa, quatro cores que agora parecem guardar o mesmo segredo.
O que Cléo anota na saída
Antes de fechar o salão, Cléo pega o celular e digita a data da venda. É a primeira prova real que liga Vivian ao dinheiro. Não é mais só conversa. É um caminho que pode ser seguido.
Ela guarda o telefone. Sabe que precisa falar com Téo, mas também sabe que qualquer movimento agora pode chamar atenção. O salão esvazia. Os vidros de esmalte continuam ali, quietos, como se nada tivesse mudado.
