Elisa não esperava que o encontro com Davi fosse além de um simples agradecimento. A chuva caía forte diante do pequeno comércio de Vila Esperança. Gotas escorriam pelo vidro do ponto de ônibus enquanto Caio pulava nas poças. O que ela ainda não sabia era que aquele dia guardava uma virada que complicaria tudo.
O encontro marcado pela chuva
Davi chegou com os documentos na mão, molhado apesar do guarda-chuva. Elisa pediu para ele entrar no ponto de ônibus para conversar. Caio ficou por perto, observando o homem que tratava a mãe com respeito. Ela queria apenas dizer obrigado e seguir em frente.
— Trouxe as cópias que pedi — disse Davi, estendendo o envelope.
— Não precisava vir até aqui — respondeu ela, olhando para o chão molhado.
Discussão sobre orgulho
Eles falaram sobre os papéis e sobre como Ricardo havia usado o dinheiro dela. Elisa repetiu que não queria mais envolvimento com ninguém da família Alcântara. Davi explicou que era só o advogado, mas algo na voz dele soava diferente. Caio se aproximou e perguntou se Davi podia ajudá-lo com a lição de casa.
— Você não precisa carregar tudo sozinha — disse Davi, baixinho.
— Orgulho é tudo que me sobrou — ela respondeu, virando o rosto.
O beijo que não devia
A chuva apertou. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos. Davi deu um passo à frente. Elisa não recuou. O beijo foi rápido, impulsivo, cheio de culpa dos dois lados. Quando se afastaram, ela sentiu o coração apertado. Eu me apaixonei justamente pelo homem que eu tinha todos os motivos para odiar.
Ela se afastou de uma vez, repetindo que aquilo não podia acontecer.
Elisa pegou a mão de Caio e disse que era hora de ir. Davi ofereceu carona. Ela aceitou sem pensar muito. O carro saiu devagar pela rua molhada.
Do outro lado da rua, Vanessa segurava o celular. A foto de Elisa entrando no carro de Davi ficou nítida mesmo com a chuva. Ela sorriu antes de guardar o telefone.
