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A Coroa de Pétalas — Capítulo 1: A flor diante do portão

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Alva chegou ao portão do castelo com uma flor simples. Rubra a empurrou e esmagou a flor no tapete, mas a sombra de Beladona viu algo que ninguém mais notou.

Alva parou diante do portão dourado do Castelo de Pétalas segurando apenas uma flor simples do campo. A festa da corte já estava em pleno vapor, com luzes e vozes ecoando do lado de dentro. Ela queria só entregar o presente e voltar para casa, mas o que aconteceu ali mudou o rumo daquele dia inteiro.

A flor diante do portão

Rubra estava no centro do salão visível do portão, exibindo seu vestido brilhante para os nobres que passavam. Todo mundo ria das piadas dela sobre gente do campo. Alva respirou fundo e deu dois passos à frente, a flor ainda intacta na mão.

Os guardas a olharam de cima a baixo. Um deles cochichou algo para o outro. Alva sentiu o rosto esquentar, mas não recuou.

O empurrão e o tapete vermelho

Rubra virou quando ouviu o murmúrio. Seus olhos pararam na flor e depois em Alva. Ela caminhou até o portão com passos lentos, o vestido arrastando no chão.

— O que uma como você pensa que está fazendo aqui? — perguntou Rubra, voz baixa e cortante.

Alva estendeu a flor. — Trouxe para a rainha. É do meu jardim.

Rubra riu uma vez, curta. Empurrou Alva com força suficiente para ela tropeçar. A flor caiu e foi esmagada sob o salto dela no tapete vermelho que saía do portão. O perfume doce sumiu no instante.

A voz que não calou

Alva ficou de joelhos por um segundo, olhando a flor destruída. Os nobres ao redor pararam de falar. Rubra apontou para fora.

— Gente do campo não pisa aqui. Vai embora antes que eu chame os guardas de verdade.

Alva se levantou devagar. A raiva subiu, mas ela não gritou. Falou só o suficiente para ser ouvida por quem estava perto.

Você pode me tirar do seu tapete, mas não pode decidir o valor que eu tenho.

Rubra franziu a testa, surpresa por um momento. Depois mandou os guardas fecharem o portão.

A sombra que reconheceu

Dama Beladona observava tudo das sombras do corredor lateral. Ela não se moveu durante o empurrão. Quando Alva se virou para ir embora, o pingente de cristal no pescoço da jovem brilhou sob a luz do portão. Beladona apertou os dedos na parede. Aquela criança abandonada havia voltado.

Ela sabia exatamente o que aquilo significava. A rainha ainda não tinha notado nada, mas Beladona já calculava os próximos passos. Alva desapareceu pela estrada de terra. Beladona ficou parada mais um minuto, o coração batendo mais rápido do que admitiria. A ameaça estava de volta ao lugar onde tudo tinha começado.