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A Herdeira Esquecida — Capítulo 5: A mentira da gravidez que salvou ninguém

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Letícia segura o laudo falso no consultório de Ipanema enquanto o anel brilha e Júnior começa a questionar. A mentira da gravidez precisa segurar o poder antes que o passado escape.

A Herdeira Esquecida — Capítulo 5: A mentira da gravidez que salvou ninguém — cena da novela

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No consultório de Ipanema, a luz do fim de tarde entrava pelas persianas de madeira e pintava listras douradas sobre a mesa de vidro. Letícia girava o anel de noivado entre os dedos enquanto o médico assinava o laudo. O papel ainda cheirava a tinta fresca.

Do lado de fora, o trânsito da Vieira Souto zumbia baixo. Dentro, o silêncio era cortado apenas pelo clique do tique-taque do relógio de parede. Ela sorriu para o envelope que não continha vida alguma.

O laudo que ninguém pediu para ver

Letícia estendeu a mão e recebeu o documento com delicadeza exagerada. O médico inclinou a cabeça, satisfeito com a quantia depositada horas antes. Ela guardou o papel na bolsa de couro e tocou o anel mais uma vez, como se o metal pudesse selar algo maior que um casamento.

Júnior surgiu na porta minutos depois. O irmão observava a irmã com olhos que já não eram só de lealdade. Letícia notou o olhar e ergueu o queixo.

O anel que brilha contra a dúvida

O noivo chegou logo em seguida, passos firmes sobre o mármore. Querendo um herdeiro que carregasse seu nome, ele apertou a mão de Letícia com força. Ela devolveu o aperto e sorriu. Nenhuma palavra sobre exames verdadeiros foi dita.

O silêncio entre os três pesava mais que qualquer diagnóstico. Júnior encostou-se à janela e viu o mar lá fora, cinza e agitado. Letícia abriu a bolsa apenas o suficiente para que o laudo aparecesse por um segundo.

Essa criança vai garantir que ninguém nunca mais olhe para aquela pobre com pena.

A pergunta que escapou do peito

Júnior finalmente falou. A voz saiu baixa, quase rouca. Ele perguntou por que o exame tinha sido feito tão depressa, por que o noivado precisava de uma criança antes mesmo do altar. Letícia não respondeu. Apenas fechou a bolsa e caminhou até a porta.

O noivo observava os dois, alheio à tensão que subia como fumaça. Letícia parou no umbral e olhou para trás uma única vez. O anel capturou a luz e devolveu um brilho frio.

Na favela, Maria Flor ainda guardava o testamento antigo. Na mansão, Antônio sentia o passado bater à porta. E Letícia, agora, carregava um papel que prometia prender todos.