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Amor Comprado — Capítulo 10: Ninguém compra o amanhã

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Maurício queima o último envelope de pagamento e vende sua parte nos negócios. Vanessa devolve o dinheiro, Helena pede que ele se encontre primeiro. No fim ele caminha sozinho até o café, sem saber…

Meses depois, o apartamento em Moema parecia o mesmo, só que mais vazio. Maurício parou na cozinha e olhou o envelope marrom que ainda chegava todo mês. Ele pegou a tigela de metal que Vanessa usava pra fazer arroz e colocou o envelope dentro. O fogo acendeu devagar, o papel encolheu e o cheiro de tinta queimada ficou no ar. O que ele ainda não sabia era que queimar aquele envelope seria o primeiro passo pra entender que amor comprado nunca ia bastar.

O envelope na tigela

Vanessa entrou e parou na porta. Ela viu a fumaça e não perguntou nada. Só ficou olhando. Maurício mexeu o papel com um garfo pra queimar tudo. Quando acabou, ele lavou a tigela e guardou de novo no armário. O silêncio entre eles era diferente agora, sem cobrança.

— Eu devolvi o último depósito — ela disse por fim. — Não quero mais esse dinheiro.

Maurício assentiu. Não parecia alívio, só cansaço de quem já carregou peso demais.

A venda da participação

Ele ligou pro advogado na mesma semana. Vendeu a parte que tinha nas empresas da mãe e pediu pra transferência ser rápida. Dona Lúcia apareceu no escritório dele uma tarde, mas não conseguiu convencer. Maurício assinou os papéis mesmo assim. Quando ela saiu, Nando estava do lado de fora, esperando pra tomar um café. A amizade deles voltava devagar, sem pressa de consertar tudo de uma vez.

Valdir mandou mensagem dizendo que ia responder processo no conselho. Maurício não respondeu. A fórmula tinha quase matado ele; agora a saúde vinha de rotina, não de atalho.

A conversa que faltava

Helena apareceu no café do bairro, como sempre. Maurício sentou na mesa dela e contou que tinha rompido com a mãe, que Vanessa devolveu o dinheiro e que ele não queria mais viver decidindo por aprovação. Helena ouviu tudo. Depois disse que não ia ser prêmio de ninguém.

Amor que precisa ser pago não é amor, mas até uma mentira pode obrigar a gente a descobrir a verdade.

Ela pediu que ele primeiro soubesse quem era sozinho. Maurício concordou. Não discutiu.

O caminho até o café

Alguns dias depois ele caminhou até o mesmo café. O sol estava baixo, o bairro já começava a esvaziar. Ele não sabia se Helena estaria lá, nem se ela ia querer começar de novo. Só sabia que a escolha era dele, sem mãe, sem esposa, sem fórmula. Quando abriu a porta, o cheiro de café era o mesmo de sempre. Ele entrou devagar, sem saber o que viria, mas pela primeira vez sem ninguém mandando o que fazer.