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Entre a Lei e o Sangue — Capítulo 10: Entre a fuga e o filho

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No estacionamento do hospital, Rafael segura a manta do filho e decide não fugir. Diego é preso, Augusto entrega seu próprio segredo e Júlia fica sozinha com a bebê.

O que Rafael ainda não sabia era que a decisão que tomaria ali, no estacionamento do hospital, mudaria tudo para sempre. A sirene da viatura ecoava no asfalto molhado. Ele segurava a manta azul do filho contra o peito, sentindo o tecido ainda quente do parto.

A manta no estacionamento

Júlia estava no quarto com a bebê. Rafael tinha saído só para pegar ar, mas o celular dele tocou três vezes seguidas. Diego mandava mensagens curtas: “Tô chegando”. O asfalto refletia as luzes vermelhas e azuis. Ele dobrou a manta com cuidado, como se isso pudesse proteger alguém.

Augusto apareceu primeiro. O delegado parou o carro na vaga ao lado e desceu sem fechar a porta. “Eles sabem que você está aqui”, disse ele baixo. Rafael assentiu. Não respondeu. O vento frio entrava pela gola da jaqueta.

O confronto que não aconteceu

Diego surgiu correndo entre os carros. Trazia a mão dentro do casaco. Augusto sacou a arma devagar, mas não apontou. Rafael ficou parado, a manta ainda na mão. “Você vai entregar tudo, é?” Diego cuspiu as palavras. “Eu sei dos seus planos.”

O policial corrupto que Diego alimentava há meses apareceu logo depois, algemado por dois agentes. Augusto tinha conseguido a prova na última hora. Diego parou de avançar. Olhou para Rafael como quem perde a última carta.

Eu passei a vida fugindo da polícia, mas hoje eu só tenho medo de fugir do meu filho.

Rafael entregou o celular com todas as mensagens e áudios que tinha gravado contra Diego. Aceitou as algemas sem resistência. Augusto, do lado, entregou também um envelope velho com o erro que escondeu anos atrás. Ninguém falou mais nada.

O que sobrou depois

Júlia estava de pé diante do berço quando soube. A bebê dormia tranquila. Ela não prometeu esperar. Só olhou a manta que Rafael deixara em cima da cadeira e guardou no bolso. A noite estava quieta agora. Só se ouvia o barulho distante do trânsito da Zona Norte.