Semente deixou o envelope em cima da mesa de plástico da cozinha e saiu rápido para o quintal. Dona Bananinha chegou do trabalho, viu as notas dobradas e parou no vão da porta. O que ela ainda não sabia era que o bolso do filho guardava um detalhe que ia explicar tudo no fim daquela tarde.
O envelope na mesa de plástico
Dona Bananinha pegou uma nota e virou devagar. O papel estava novo, mas tinha um selo pequeno no canto que ela reconheceu de longe. Semente voltou e viu o rosto da mãe mudado.
— De onde tirou isso? — perguntou ela, voz baixa.
Ele respondeu que era de um bico de entrega que arrumou no asfalto. A mentira saiu fácil, mas o olhar dela ficou preso na mesa.
Laranjinha reforça o recado
Laranjinha apareceu na viela pouco depois, mandado por Espinho. Falou que todo mundo fazia o mesmo para ajudar em casa e que Semente tinha sido esperto em aceitar. Dona Bananinha ouviu da janela e não disse nada. O filho sentiu o peso daquilo no ar.
O encontro na laje
Pêssega esperava ele escondida atrás da caixa d’água. Os dois sentaram no cimento quente. Ela segurou a mão dele e falou baixo.
Grana que chega fácil demais sempre cobra de volta.
Semente ficou quieto. Pêssega pediu que ele parasse antes que fosse tarde. Ele disse que ia pensar, mas o envelope já estava em casa.
O símbolo no bolso
Quando voltou, Dona Bananinha pediu o casaco para lavar. Tirou do bolso um pedaço de papel com o mesmo selo das notas. O rosto dela mudou de novo. Semente percebeu que ela sabia de algo que ele ainda não entendia. Dona Bananinha pensou na fotografia antiga que guardava no armário do quarto e decidiu que algumas coisas ainda deviam ficar em silêncio por mais um pouco.
