Dona Bananinha colocou a foto amarelada sobre a mesa da cozinha. Semente reconheceu o pai ao lado de Espinho, os dois jovens ainda. O que ele ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.
A foto rasgada
Ela empurrou a imagem com o dedo. A parte onde o pai aparecia estava separada da outra. Semente sentiu o peito apertar. A mãe olhou para o lado antes de falar.
“Seu pai trabalhou pra Espinho. Queria sair do grupo e levar a gente embora. Sumiu naquela mesma noite.”
O segredo guardado
Semente encostou as mãos na cadeira. A gravidez de Pêssega ainda martelava na cabeça dele, mas agora outra coisa pesava mais. Dona Bananinha respirou fundo e continuou.
“Espinho não atirou. Ele entregou seu pai pra quem não queria que ninguém saísse vivo dali.”
Eu escondi a verdade porque já tinha perdido seu pai e não podia perder você.
As palavras ficaram no ar. Semente olhou a mãe como se visse uma estranha. Ele pensou em todos os anos vivendo sem saber.
A decisão de ir
Ele pegou a metade da foto e guardou no bolso. Dona Bananinha estendeu a mão, mas ele já estava de pé. O prato de feijão ainda fumegava na mesa, intocado.
Semente abriu a porta sem olhar para trás. Do lado de fora, a viela estava quieta. Ele sabia para onde ia: encontrar Espinho e ouvir a verdade diretamente. A foto queimava no bolso como prova.
