Semente sentou na mureta com dois copos de refrigerante entre ele e Laranjinha. Falou baixo sobre o que planejava descobrir de Espinho e pediu segredo absoluto. O que ele ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.
A conversa que ficou na mureta
Semente mexeu o gelo derretido com o canudo. Contou que ia perguntar direto a Espinho sobre o pai desaparecido. Seu pai não sumiu porque quis, repetiu o pedaço que ouvira da mãe. Laranjinha assentiu, mas os olhos dele não paravam quietos.
— Ninguém mais pode saber, hein. Nem Pêssega. Principalmente ele — disse Semente.
Laranjinha concordou rápido. Os dois copos ficaram ali, esquecidos, quando um carro subiu a viela e os obrigou a levantar.
O que Laranjinha fez depois
Ele voltou para casa, mas não conseguiu comer. A mãe perguntou se o dinheiro do mês já tinha entrado. Laranjinha mentiu que ainda não. Pensou no quanto Espinho pagava só por pequenas informações. Pensou na cara de Semente pedindo segredo. Foi andando até a laje onde Espinho costumava ficar.
Espinho estava sozinho, limpando uma arma. Ouviu tudo sem interromper. Quando Laranjinha parou de falar, o homem sorriu devagar.
Traição começa quando o medo fica maior que a amizade.
Espinho mandou Laranjinha repetir cada palavra de Semente. Depois disse que precisava de mais detalhes. Laranjinha saiu sentindo o estômago embrulhado, mas com o bolso mais leve.
O recado que chegou
Semente estava ajudando a mãe a lavar louça quando o celular vibrou. Era uma mensagem curta: Espinho queria falar com ele agora. Dona Bananinha viu a cara do filho e perguntou o que era. Ele respondeu que era coisa da escola.
Enquanto descia a viela, Semente pensou em ligar para Laranjinha e contar que ia enfrentar Espinho. Não ligou. Achou melhor resolver sozinho. Os dois copos ainda estavam na mureta, vazios, quando ele passou por ali.
