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Amor Comprado — Capítulo 1: O envelope sobre a mesa

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Maurício ouviu a conversa baixa entre a esposa e a mãe no apartamento de Moema. O envelope de dinheiro sobre a mesa revelou um acordo que ele nunca imaginou.


Maurício parou no corredor do apartamento em Moema, a mão ainda na maçaneta da porta da sala. O envelope grosso de dinheiro estava aberto sobre a mesa de jantar, e as vozes de Vanessa e de Dona Lúcia vinham baixas, quase um sussurro. Ele tinha voltado mais cedo do escritório só porque esquecera a agenda. O que ele ainda não sabia era que aquela conversa ia tirar o chão de tudo que achava seguro.

O envelope sobre a mesa

Vanessa contava as notas sem pressa, dobrando cada cédula com o polegar. Dona Lúcia observava do outro lado da mesa, o colar de pérolas batendo levemente no decote do vestido preto. O ar-condicionado zumbia, mas o calor de fora entrava pelas janelas entreabertas.

“Esse mês veio certinho, dona Lúcia. Obrigada.”

“Você sabe o que eu espero em troca, Vanessa. Ele não pode desconfiar de nada. Mantenha as coisas calmas.”

Vanessa guardou o dinheiro na bolsa e suspirou. “Fica mais difícil quando ele não se cuida. O corpo dele… eu não aguento mais fingir que não vejo.”

As palavras que ele não queria ouvir

Maurício encostou as costas na parede. O coração batia tão forte que ele teve medo de que as duas ouvissem. Minha mãe paga minha mulher pra fingir que me ama. A frase repetia na cabeça dele sem parar. Ele já desconfiava de muita coisa, mas nunca imaginou que o acordo fosse tão direto.

Dona Lúcia falou mais baixo ainda. “Enquanto o dinheiro entrar todo mês, você fica. É simples assim. Meu filho precisa de estabilidade. Não de amor de verdade.”

Vanessa não respondeu de imediato. O prato de café da manhã ainda estava na frente dela, esfriando. Maurício sentiu o cheiro do pão torrado misturado com o perfume caro da mãe.

A saída sem barulho

Ele não esperou o fim da conversa. Virou devagar, pegou a chave do carro na mesinha do hall e saiu do apartamento sem fechar a porta direito. No elevador, as mãos tremiam. Ligou para Nando assim que chegou no subsolo.

“Preciso te ver agora. É sobre a Vanessa… e sobre a minha mãe.”

Nando atendeu rápido, a voz ainda rouca de sono. “Que horas você quer?”

Maurício dirigiu até o café perto da casa do amigo, repetindo mentalmente o que tinha ouvido. Ele não queria mais viver assim. No caminho, passou pela clínica antiga do Dr. Valdir e pensou, pela primeira vez, que talvez precisasse de algo além de conversa para mudar de verdade. Nando estava esperando na calçada quando ele estacionou. Os dois se olharam sem dizer nada por alguns segundos. Maurício sentiu que alguma coisa tinha começado a se mover, mesmo sem saber ainda para onde.