Caio apertou a pasta contra o peito quando as portas do elevador se abriram no décimo andar. Ele só queria entregar os documentos atualizados no RH e sair logo dali. O que ele ainda não sabia era que a mulher que ia encontrar ali dentro guardava uma identidade que mudaria o rumo daquele dia.
A pasta preta no chão
O elevador subia devagar, quase vazio. Caio olhou para o chão e viu uma pasta preta caída perto dos pés dele. A mulher ao lado não parecia ter notado. Ele se abaixou, pegou a pasta e entregou.
— É sua? — perguntou baixo.
Ela pegou a pasta, olhou para ele de cima a baixo e sorriu de leve.
— Obrigada. Quase perdi os relatórios do dia inteiro.
Caio reconheceu o tom de quem está acostumada a dar ordens, mas não respondeu. A moça vestia um blazer escuro e tinha o cabelo preso de forma impecável. Ele se sentiu deslocado com sua camisa social um pouco amarrotada.
A conversa que começou sem querer
— Você está aqui para uma entrevista? — ela perguntou depois de alguns segundos.
— Não exatamente. Vim entregar uns papéis pro RH. Já fui rejeitado uma vez, mas insisti em atualizar o currículo.
Ela ergueu uma sobrancelha, interessada.
— Tenho gente que olha um currículo e vê papel. Eu gosto de descobrir quem está por trás dele.
Caio não sabia o que responder. O elogio soou sincero, mas ele não queria criar expectativas. O elevador parou no décimo primeiro andar e mais ninguém entrou.
Augusto chega e o clima muda
As portas se abriram de novo e um homem de terno entrou. Alto, confiante, com o celular na mão. Ele olhou para a mulher, ignorou completamente Caio e falou:
— Helena, a reunião foi adiantada. Seu pai quer que a gente esteja lá em dez minutos.
Caio sentiu o nome bater como uma informação que ele ainda não tinha processado. Helena. Augusto. O logotipo do Grupo Vasconcelos aparecia em tudo ao redor. Quando as portas se abriram no último andar, Caio viu a placa da diretoria e entendeu.
Era a filha do dono. E estava prestes a se casar com o homem que acabara de tratá-lo como se não existisse.
