Júlia apertou a mão de Rafael quando a maca virou o corredor do hospital. A pulseira plástica no pulso dele balançava a cada passo, um pedaço branco contra a pele suja de graxa. Ela só conseguia pensar no filho. O que ela ainda não sabia era que a noite ia complicar tudo que já estava ruim.
A maca no corredor
Os enfermeiros gritavam ordens enquanto empurravam a maca. Júlia sentia outra contração forte e fechou os olhos. Rafael corria ao lado, sem soltar a mão dela. Augusto ficou para trás, falando baixo no celular com alguém da delegacia. O pai dela parecia dividido entre a filha e a operação que ele mesmo tinha montado contra Diego.
— Segura aí, Júlia — disse Rafael, voz rouca. — A gente chega logo.
Ela não respondeu. A dor tomava todo o espaço.
Caio assume o parto
Caio apareceu na sala de parto com o jaleco branco aberto. Ele olhou rápido para Rafael, depois fixou os olhos em Júlia. O médico obstetra que já tinha atendido ela antes assumiu o comando sem pedir licença. A tensão ficou clara no ar quando Caio pediu que Rafael esperasse do lado de fora. Rafael não se mexeu.
— Eu fico aqui — disse ele, firme.
Júlia abriu os olhos e olhou para os dois homens. Hoje eu não quero saber quem é bandido, quem é polícia ou quem me ama. Eu só quero que meu filho sobreviva. A frase saiu baixa, quase um sussurro, mas todo mundo ouviu. Caio assentiu e voltou para o trabalho. Rafael ficou ao lado da maca, pulseira branca brilhando sob a luz fria.
A notícia que chegou tarde
Augusto terminou a ligação no corredor e guardou o celular. O rosto dele estava duro. Ele recebeu a informação de que Diego estava a caminho do hospital, provavelmente armado e querendo resolver tudo de uma vez. O delegado olhou para a porta da sala de parto e respirou fundo. Não tinha mais tempo de separar as coisas. O filho de Júlia ia nascer no meio de uma operação que podia explodir a qualquer minuto.
Rafael saiu por um instante para pegar água. Quando voltou, Augusto estava encostado na parede, quieto. Os dois se olharam sem dizer nada. A pulseira de Rafael continuava ali, lembrando que o mandado podia chegar a qualquer hora.
