Diego chegou ao bar perto da Vila Isabel quando ainda era cedo. O lugar tinha só dois clientes e uma luz fraca sobre o balcão. Ele pediu uma cerveja e quebrou a taça sem querer ao encostar no prato. O que Rafael ainda não sabia era que a foto do encontro na garagem já estava nas mãos de outra pessoa.
O encontro no bar vazio
Diego sentou na mesa do fundo com o policial que sempre recebia dinheiro dele. Falou baixo, mas sem enrolação. Queria o comando do grupo e estava pronto para entregar o chefe. O policial ouvia e concordava, desde que Augusto saísse da investigação antes que o próprio nome aparecesse nos arquivos.
“Ele quer entregar você pra proteger a mulher”, disse o policial. Diego sorriu sem alegria. A taça quebrada no chão ficava ali, um pedaço de vidro que ninguém tinha limpado.
A operação que deu errado
Rafael estava na oficina quando recebeu a ligação. A polícia tinha ido ao endereço errado, como se soubesse de antemão que o carregamento mudara de lugar. Ele desligou o celular e ficou olhando para o chão. Alguém tinha falado. E só Diego sabia do novo endereço.
Ele pensou no pacto feito com Augusto na garagem. Talvez o delegado tivesse vazado. Mas algo no peito dele dizia que não era isso. A traição estava mais perto.
A suspeita que começou na delegacia
Augusto chegou tarde à delegacia e pediu os relatórios da operação. O escrivão hesitou antes de entregar a pasta. “Alguém mudou o horário no sistema”, murmurou o homem. Augusto leu duas vezes o mesmo parágrafo e sentiu o estômago apertar.
Ele lembrou do pacto com o genro e da foto que Diego poderia ter tirado. Se o vazamento veio de dentro, então o inimigo não era só o tráfico. Ele precisava descobrir quem estava jogando contra os dois lados ao mesmo tempo. A pasta ficou aberta sobre a mesa até o amanhecer.
