Nina prendeu a chave triangular no cinto e olhou para o poço escuro. Os vizinhos seguravam suas pernas enquanto ela descia. O elevador tinha caído minutos antes e o fogo ainda subia pelas paredes. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha acabado.
A descida pelo poço
Ela desceu devagar, os pés procurando apoio nos trilhos. Bruno estava preso na cabine torta, com Otávio ao lado gemendo. Os moradores lá em cima gritavam para ela parar, mas Nina continuou. O cheiro de fumaça subia forte.
Quando chegou perto da cabine, fixou o freio no trilho com força. Bruno abriu os olhos devagar.
Eu filmei a festa deles.
Nina estendeu a mão e puxou Bruno primeiro. Depois ajudou Otávio a sair, mesmo ele tentando empurrar a mão dela. Os sprinklers que ela acionou começaram a molhar tudo.
Provas entregues aos bombeiros
Os bombeiros chegaram enquanto ela subia de volta. Nina entregou o relatório antigo do pai e as fotos que Dalva tinha escondido. O cabo rompido e a saída de emergência acorrentada estavam ali, claros. Otávio foi levado algemado sem dizer palavra.
Anselmo chegou depois, mancando. Olhou a filha suja de graxa e fumaça. Nina esperava bronca, mas ele só suspirou.
Você não consertou meu elevador, filha. Consertou meu nome.
Três meses depois
O Edifício Ferraz ficou interditado. Sem luz, sem gente. Nina voltou só para pegar as ferramentas que tinha deixado. O botão do zero brilhou sozinho no painel escuro. Três pancadas secas vieram da cabine vazia. Ela parou, a chave triangular ainda no bolso.
