Três meses depois, a mesa de mármore continuava no mesmo lugar. As duas malas abertas em frente a Augusto não pareciam mais com as do início. Lucas e Enzo estavam ali, mais quietos, esperando.
A volta à mesa de mármore
Lucas abriu primeiro o relatório. O restaurante da família Nogueira tinha dado lucro desde o início, junto com outros investimentos menores que ele manteve em sigilo. O total superava os sete milhões. Ele falou baixo, sem sorrir. Augusto apenas assentiu.
Enzo demorou um pouco mais para organizar os papéis. Ele explicou que vendeu quase tudo o que tinha comprado, devolveu o que devia e colocou o resto num negócio pequeno de revenda de eletrônicos usados. O saldo final ficou em quatro milhões e oitocentos mil. Não era o maior, mas estava perto do que tinha recebido.
Clara e os documentos
A porta da sala se abriu sem aviso. Clara entrou com uma pasta fina na mão. Parou no meio da sala e olhou direto para Augusto.
“Meu avô assinou esses papéis três dias antes de perder tudo. O senhor sabia que a operação ia dar errado e não avisou ninguém.”
Lucas ficou em pé. Enzo olhou para o irmão, depois para o pai. O silêncio na sala era pesado.
O dinheiro mostrou quem ganhou o jogo. Agora a verdade vai mostrar quem merece continuar sentado nessa mesa.
Augusto não negou. Disse que tinha escondido a informação para proteger a própria posição na empresa na época. Admitiu que poderia ter avisado o avô de Clara e não fez. Falou que o teste com os filhos revelou mais do que ele esperava.
O que sobrou depois dos números
Augusto decidiu transferir parte dos lucros de Lucas para cobrir o prejuízo antigo da família Nogueira. Disse que os dois filhos agora iam trabalhar juntos num projeto menor, sem prêmio único. O que importava era aprender a dividir responsabilidade.
Lucas pegou a mão de Clara por cima da mesa. Enzo guardou os papéis dele sem reclamar. Augusto fechou as malas devagar. Pela primeira vez, ninguém perguntou quem tinha vencido.
