Enzo parou o carro no estacionamento vazio logo depois das cinco. As caixas já estavam empilhadas no chão, cheias de roupas e eletrônicos que ele nunca usaria de verdade. O que ele ainda não sabia era que, antes do meio-dia, uma conversa com Lucas mudaria o rumo dos dois.
O primeiro tênis na caixa
Ele abriu o porta-malas e pegou o par de tênis caro que comprara no primeiro mês. Colocou um dentro da caixa simples, sem etiqueta. A sola ainda brilhava. Depois colocou o outro. Fechou a tampa com força.
Lucas chegou de táxi, sem carro. Parou ao lado dele e olhou as caixas.
— Começa por aqui — disse. — Vende o que não precisa e para de fingir que ainda tem o resto.
Enzo assentiu. Não respondeu. Abriu outra caixa e começou a separar os itens que Vinícius tinha ajudado a comprar.
A oportunidade que Lucas ignorou
Mais tarde, no carro, Lucas contou sobre um pequeno ponto comercial perto do restaurante da família de Clara. O dono queria vender rápido. Enzo ouviu, pensou alguns minutos e disse que podia tentar.
— Você descartou porque não parecia grande — falou Enzo. — Mas eu preciso de algo que dê retorno rápido.
Lucas não discutiu. Apenas passou o contato. Enzo ligou na hora e marcou de ver o lugar à tarde.
O que Augusto escondeu
Enquanto Enzo fazia as primeiras ligações, Lucas recebeu uma mensagem de Clara. Ela mandou fotos de documentos antigos. Lucas leu os nomes e entendeu que o pai não tinha causado sozinho a falência do avô dela. Augusto havia escondido informações para proteger a própria ascensão na empresa.
Você pode ter sido inocente no começo e covarde no final.
Lucas guardou o celular. Não respondeu. Pensou em contar para Enzo, mas guardou para depois.
O negócio começa a crescer
Três dias depois, Enzo já tinha vendido metade das coisas e usado o dinheiro para comprar mercadoria barata no ponto comercial. O movimento foi melhor que esperado. Lucas viu os números e percebeu que a diferença entre os dois estava diminuindo.
Enzo mandou uma mensagem simples: “Está dando certo”. Lucas respondeu só com um emoji de ok. Não disse que estava aliviado. Não precisava.
Lucas olhou de novo os documentos de Clara. Sabia que Augusto voltaria em poucas semanas. A conversa que ele evitava agora parecia inevitável. Enzo continuava vendendo e comprando, sem saber ainda que o pai tinha deixado um buraco maior do que o dinheiro.
